As declarações do Representante da República para a Região Autónoma da Madeira a propósito da sua visita a Porto Santo na passada semana que, de fora acompanhei pela imprensa, puseram mais a claro, sem dramatizar, a situação que ali se vive, agudizada que está, em resultado da crise em que a Região, tal como o País, mergulhou. Recuando 10 anos, recordo, o desenvolver de uma ideia, quiçá utópica, de fazer do Porto Santo um "Destino de Golfe", tendo em vista a necessidade, que ninguém questiona, de vencer os efeitos da sazonalidade de um destino turístico dependente do "sol e praia", limitado aos meses de verão, para que desde logo foi chamada a atenção dos poderes públicos que, numa atitude de "faz de conta", optaram por responder, ousando fazer "orelhas moucas" ao que faziam crer de "palavras loucas", se tratar…. No artigo publicado em 19 de Setembro de 2002 insisti, sem deixar lugar a dúvidas, alertando quem de direito, num apelo à imaginação sem perder o sentido das realidades, para que todo o processo «antes que seja tarde, seja ponderado à luz das potencialidades dos mercados e dos custos de utilização». Como era e é óbvio, um campo de golfe, por si só, jamais poderia constituir-se em um "Destino de Golfe" - o Algarve, por exemplo conta 40 campos - para além das múltiplas condicionantes, com relevância para a questão da água para rega, para que alertei, logo surgindo uns quantos que, sem argumentos para contrapor a factos, se encresparam, levando-me a publicar mais uns quantos apontamentos desde então, para clarificar dúvidas, a que nunca me escuso. Em fins de 2004, tive a oportunidade de jogar golfe no Porto Santo e comprovar a qualidade do projecto, que nunca duvidei, a par da espectacularidade do percurso e das vistas, assim como o nível da sua manutenção. Nada disso, note-se, tem que ver com a questão da exploração e custos inerentes que só foi possível assegurar, mercê da sua cobertura através da S.D. de Porto Santo, isto é, pelo erário público, em detrimento de áreas carenciadas, o que não pode ignorar-se. Mais recentemente, em Novembro último, já a crise se instalara e consumada que fora a suspensão do projecto Colombo Resort, voltei a abordar em "Porto Santo e o Futuro", na perspectiva da hotelaria porto-santense, ora associada ao "sol e praia" ora ao "golfe", conhecidas as dificuldades da exploração hoteleira - com uma oferta que largamente excede a procura, à excepção dos meses de verão - ao ser anunciado: - uma nova unidade junto ao campo de golfe, com o envolvimento da Sociedade de Desenvolvimento, e - um projecto que prevê um aumento de camas turísticas que, de pouco mais de 2.000, poderá ir até às 60.000 camas…! Sem mais comentários, perante a realidade destes tempos "difíceis", como bem salientou o Representante da República, nunca será demais apelar à análise ponderada para que o Porto Santo consiga encontrar os "meios para superar as dificuldades".

Francisco Leite Monteiro