Juvenal Rodrigues Partiste inesperadamente. Ainda há poucos dias, numa cama do hospital, quando tu me falavas entusiasticamente num recente evento sobre o fado no qual tu, com a tua inseparável viola, serias um dos protagonistas nada fazia prever este, tão breve, desenlace fatal. As vielas sombrias, as tabernas, os amantes e a própria noite do fado madeirense sentirão a falta do trinar da tua viloa. A arte perdeu um grande artista e um bom amigo. Em "Ré" ou em "Lá" meio tom acima ou abaixo, em menor ou em maior ou ainda no estilo "fado mouraria" ou "fado das horas" com a tua alegria, onde a brincar dizias coisas sérias, transmitias ao fadista segurança e confiança. Do som da tua inconfundível viola saia sempre a melodia agradável que acompanhava o poema e o sentimento que os fadistas sempre sentem ao cantar o fado. Se calhar os grandes fadistas que já partiram sentiram saudades do teu dedilhar sobre as cordas da viola e lembraram-se de te chamar para acompanha-los. Um dia lá nos encontraremos para aqueles serões fadistas que tu fazias questão de promover. Para passares o tempo na tua viagem para o desconhecido vai acompanhando... Rapazes quando eu morrer/ ponham-me a guitarra ao lado/ p´ra quando eu chegar ao céu/ os anjos tocarem o fado. Até sempre amigo Ricardo Sá.