A.J. Ferreira Como haverá alguém que consiga continuar a acreditar nos políticos portugueses? É ver o primeiro-ministro fazer tudo ao contrário do que prometeu há oito meses, é ver o sr. Seguro a contradizer tudo o que o seu governo no exercício de funções fazia, é ver os partidos da esquerda a criticar só por criticar e sem apresentar uma solução possível para este calvário que está a ser a política traçada pela troika e aplicada à risca por este governo que não me parece levar-nos a bom porto. Como conseguiremos ultrapassar todo este drama que se implantou no nosso país se se rompe com toda e qualquer possibilidade de crescimento da economia tomando medidas que só prejudicam a classe trabalhadora, se as empresas produtoras serão as mais lesadas através da aplicação severa de impostos incomportáveis, se a asfixia financeira leva trabalhadores e empresários ao desespero e cada vez mais o desemprego é o cartaz de apresentação para soluções práticas? Onde andam as soluções para fazer crescer a economia, para as empresas poderem corresponder aos seus compromissos? As famílias desesperam para ultrapassar as dificuldades que decorrem das actuais medidas de austeridade. A insegurança prolifera. Os suicídios aumentam e os que ainda têm a sorte de manterem o posto de trabalho olham com desespero o futuro que não se augura risonho, pois as entidades patronais pelo facto da conjuntura estar a seu favor aproveitam-se das circunstâncias para fazerem uso dos argumentos que sacrificam e aprisionam alguns trabalhadores que se sentem espezinhados e explorados. Afinal as leis pouco ou nada valem quando a necessidade se impõe à disponibilidade de cada trabalhador e o primeiro-ministro ainda diz que a alteração das leis laborais no futuro melhorará as políticas de emprego. Mais uma em que nem ele próprio acredita. Em Portugal infelizmente ainda não se entendeu que criar riqueza significa dar condições a quem trabalha para poder evoluir progressivamente de modo a que o seu futuro seja mais próspero e não fazer de uns poucos cada vez mais ricos e muitos cada vez mais descontentes, improdutivos, desiludidos, desesperados e desanimados e os resultados expressam-se em cada acto eleitoral, com cada vez mais cidadãos menos participativos desacreditando a democracia, assassinada pelos políticos. O melhor disfarce para este Carnaval de desespero será a força anímica que cada um possa ter para superar esta caminhada sem futuro à vista, e tentar superar as dificuldades com muito empenho e dedicação até que apareça alguém com a coragem e a vontade de mudar todas estas incompetências políticas dos governantes que à data tiveram nas mãos as rédeas deste país e não mostraram capacidades para levar-nos a um futuro senão melhor mas pelo menos, parecido com o nosso passado.