Um pouco para lá da Ponta de S. Lourenço, ainda é Região Autónoma da Madeira. Chega-se por uma estrada feita de ar ou de mar. Habitualmente negligenciado, porque o Arquipélago tem o mesmo nome da ilha principal, o Porto Santo só é lembrado quando convém. As enfermidades da ilha estão bem identificadas, mas as curas tardam em chegar. À sazonalidade crónica, junta-se a calamidade do desemprego e a consequente desestruturação social. Pode não haver cura definitiva, mas exige-se alívio. Um dia, alguém me disse que agora era mais fácil governar, porque as pessoas entendiam que como não havia dinheiro a resposta seria "Não". Contudo, não pode ser sempre "Não". Falta de dinheiro e de meios limita muito, é certo. Porém, deve fazer despertar a criatividade na busca de soluções. Chegou o tempo das forças vivas da nossa sociedade trabalharem em conjunto para ajudar quem mais precisa, abstraindo-se de "máscaras partidárias". E quem mais precisa agora, não são só os habituais mais pobres e desfavorecidos. São gerações inteiras desiludidas. Uma juventude a quem se toldou horizontes, gente que trabalhou uma vida inteira e que se vê impotente para ajudar filhos e netos, uma classe média a extinguir-se. No Porto Santo, não se nasce. Há cerca de 30 anos que vimos nascer à Madeira. Mas, vive-se. A exiguidade da ilha e dos meios constrange, mas não impede essa vivência. Muitas vezes, sobrevive-se. Lá na ilha pequena, de solo árido, também há gente que trabalha, que sonha, que vive. Chamem-me piegas.

Renata Sousa, Vereadora do PS na CMPS