Joaquim Silva Há os que gostam de navios e do mar; há os idealistas que desenham projectos nos blogs e adoptam conceitos correctos, mas no mercado errado; e há os pagagaios políticos, que falam sobre tudo, sem perceber de nada e que acham que ganham votos se estiverem contra o governo. A revelação de que António Armas assumiu ter perdido no ano passado na linha da Madeira 6 milhões de euros é a confissão do 'pecado original'. Para internacionalizar o seu negócio e conseguir colocar os seus novos navios, construídos graças a um correcto e generoso programa de apoios à construção naval em Espanha, a Naviera Armas veio para a Madeira aparentemente com preços muito aliciantes, baratos, embora o homem das carnes, António Nóbrega, tenha dito na televisão que não eram mais baratos que os praticados pelos armadores portugueses. Agora que se sabe que só num ano o armador espanhol perdeu 6 milhões de euros, a questão é simples: terá a Naviera Armas praticado dumping comercial ao disponibilizar um tarifário que não garantiu a cobertura dos custos? A verdadeira questão que se coloca é a de saber se o armador vendeu os seus serviços abaixo do seu custo real. Para os que se insurgem, e bem, contra a subsidiação do Jornal da Madeira, porque distorce as regras da concorrência e torna acessível ao público um produto (jornal) grátis ou a 10 cêntimos que realisticamente deveria custar 2 euros, estranho que agora defendam a subsidiação indirecta - isenção das taxas - de uma empresa espanhola que não pagando impostos na Região era responsável por 18% das alfaces, carnes e outros frescos importados. O que não teria o governo de dar aos outros armadores para trazem os remanescentes 82% de alfaces, tomates, carnes de demais frescos.