Cenário pitoresco. Deixem-me que vos diga. Nunca a falta de senso e originalidade na retórica política espantou-me tanto, como a que temos podido ver nestes últimos tempos nesta ilha. Nem falo de propostas e projectos irreais e de pouco impacto que surgem como bandeira nos discursos do engrandecimento do ego pseudo-partidário que predomina em todas as vertentes políticas nacionais. Não. Apenas foquemos a falta de bom senso. Para isso juntemos dois pontos, a divida e os jovens. Algo da qual todos já estamos conscientes é o facto da divida regional ser um encargo penoso sobre a vida de todos os madeirenses, que vêem-se a braços com um crise sem comparação, que pouco a pouco dilacera a estabilidade de muitas famílias deixando-as entregues à sua sorte. Mas é tão penosa a arte de observar, como ignóbil a de ignorar. Numa esfera de políticos de olhos fechados, muito se diz e pouco atinge o patamar do concreto e do eficaz. Muito procura-se dizer, e proclamar a alta voz, essencialmente quando procuramos dizer que a superação da divida actual está nas mãos dos jovens. No panorama que o povo pode observar, quem pagará a divida não será os jovens, mas os pais desses jovens. Vistos que os filhos desta terra e a quem entregaram a tarefa de superar esta crise, têm tantas perspectivas como aquelas que Antero de Quental teve nos seus últimos dias. A minha geração? Aquela com qualificações e ambições, nada lhes resta, pois, tarefas há muitas, instrumentos para executa-las? Nenhuns. Trabalho e eficácia é palavra de ordem! E parte principalmente de quem governa sem senso!
Diogo Gonçalves, Colaborador da Associação Académica da UMa