Na semana em que a Alemanha se dedicou a Portugal, a chanceler Angela Merkel falou 40 segundos da Madeira. Parece que algumas pessoas queriam que, nesse espaço de tempo, a senhora Merkel também especificasse quais as obras em que os fundos europeus foram mal gastos e quais as exemplares. Deixemo-nos de tretas: não deve haver ninguém que não tivesse percebido o que a senhora Merkel quis dizer, como também não deve haver ninguém que não concorde com o que ela disse, sobretudo no PSD e no Governo. Por uma razão muito simples: em nenhum dos 40 segundos a senhora criticou as obras necessárias - que qualquer madeirense sabe quais são - porque nos permitiram recuperar de atrasos seculares. Quem quiser pode continuar a enganar-se. Todos sabemos que quem precisa de mais cotas 500, piscinas, campos de golfe e marinas, são determinados interesses sobejamente identificados, que nada têm a ver com as necessidades da Madeira. E, já que a maioria dos madeirenses prescinde de o fazer, a senhora Merkel tem legitimidade para afirmar que os fundos estruturais seriam melhor aplicados na promoção da competitividade das pequenas e médias empresas. Aqui chegados, percebe-se também que as outras verbas desviadas para as obras dispensáveis - para aproveitar os fundos com que se ganha eleições e se alimenta os lobbies que gravitam à volta do poder - também podiam e deviam ser aplicadas noutras prioridades, mormente a saúde e a educação. Mas não foi assim. O resultado está à vista. Porque o regabofe havia de acabar um dia, ao contrário do que previam os donos desta terra, todos os dias tropeçamos nas consequências dessas irresponsabilidades. A semana finda foi mesmo pródiga em exemplos muito claros. Começámos com os clubes e associações desportivas, numa reunião inédita, a exigirem aquilo que o governo se comprometeu a disponibilizar-lhes, por escrito, através de contratos-programa; prosseguiu com escolas a agoniar sem gás e sem algumas refeições, para além da ausência de papel higiénico e para fotocópias; e terminou dessa forma criminosa - sim, criminosa e irresponsável - com doentes oncológicos a interromperem tratamentos por falta de medicamentos. E que disseram os responsáveis? Nada. O presidente passava mais uma semana na Europa, a expensas dos contribuintes. Em reuniões, diz ele. Paulo David, Arquitecto Volta pela segunda semana a esta galeria, agora pela consciência cívica que despertou e transmitiu na entrevista ao DIÁRIO. Rui Sousa, Paróquia dos Prazeres Continua a cumprir a sua missão de evangelização, recorrendo a modelos que julga adequados. A Quinta Pedagógica é um projecto útil. José Manuel Rodrigues, Presidente do CDS-PP Madeira O papel da Oposição é mais fácil porque não tem de concretizar. Mas a eficácia do PP-M, em várias frentes, demonstra trabalho e dedicação Alberto João Jardim, Presidente do Governo regional Andou mais uma semana pela Europa, a discutir o 'sexo dos anjos', enquanto o seu governo, na Madeira, denota inércia confrangedora. Jardim Ramos, Secretário dos Assuntos Sociais Que dizer do responsável da Saúde, médico de profissão, que nem uma palavra disse sobre a interrupção de tratamentos oncológicos?