Se há alguma justiça neste acordo entre Lisboa e Funchal, é que o legítimo voto dos madeirenses, torna-os merecedores, mesmo apesar de ser um acordo não-sufragado, apartado que foi, dos parlamentos e da discussão pública. Qualificar este acordo ou o "memorando da troika" nacional, de exequível, é anedótico. Sobretudo quando o risco de incumprimento de Portugal, atingiu há dias, uns expressivos 70%. Este "sucesso" da austeridade maciça, do valor do trabalho a pataco, e da sangria económica, é a receita de Passos/Portas, que lambem as suicidarias pegadas de Merkel e que nos situam, a apenas seis meses de atraso da "tragédia grega". Os madeirenses, que sempre empregaram o seu voto da mesma forma desde 1978, vão experimentar com toda a propriedade, um mundo do tamanho do seu umbigo: manter-se-ão insulares, mas pagarão mais, do que se vivessem em Lisboa. A invocada e patética superioridade madeirense, será mesmo no acto de pagar. Outros há porém, que de fina casta, assistirão ao "penar" dos demais, enquanto acumulam reformas e salários públicos. "Cavaquices" que se esperam cobrir as despesas. A mesma inteligência que não acautelou o tecto máximo das tarifas aéreas entre a Madeira e o continente, deixou cair a ligação-ferry com o continente e Canárias, para gáudio duns armadores que, com mais ou menos "pena", lá manterão a conhecida carestia. É mais um isolamento. Até os porto-santenses pagarão as vias-rápidas que não têm. E os madeirenses vislumbrarão que a única autonomia que resta a Portugal, será mesmo por agora, a açoriana, onde o acesso aos bens sempre se notou mais barato. O outorgante deste compromisso é o problema. O compromisso é a nossa liquidação. A solução mais recente estava no voto. Se nos reconhecessem maturidade, até sabíamos quanto custava esse voto, antes de o exercer. Mas a liquidação "executa-se", não vai a votos. Apenas a democracia. Quando há.
Donato Macedo, Licenciado em CCO