Rodrigo Trancoso Uma das consequências da austeridade que o nosso País e Região atualmente enfrentam será o aumento do preço dos transportes públicos. Aqui na RAM já foi anunciado pelo GR que o aumento dos passes sociais rondará os 15% e conjetura-se sobre uma futura privatização dos HF. Este cenário, apesar de doloroso, não deixa de me fazer sorrir, senão vejamos: durante muito tempo AJJ afirmou que empresas públicas de transporte de passageiros como eram a CARRIS, METRO, RN eram autênticos sorvedouros de recursos públicos, contrapondo a lucrativa empresa regional HF. Com esta afirmação AJJ incutiu nos madeirenses a ideia de que o Estado estar a sustentar o serviço público de transportes de passageiros era uma opção errada. Reconheço que haverá desperdício nessas empresas continentais. No entanto, não podemos escamotear que os requisitos de um serviço público de transportes de qualidade implicarão sempre um deficit operacional para a empresa que o promove. Não me esqueço da enorme diversidade de transportes, carreiras e horários que pude beneficiar durante os cinco anos em que estudei em Lisboa. Tenho a profunda convicção de que se não fossem as indemnizações compensatórias efetuadas pelo Estado, essa diversidade seria inferior a 50%. Esta minha reflexão serve para referir que na qualidade de contribuinte não me importo de ver os meus impostos serem canalizados para a sustentabilidade de setores, que dada a sua natureza, serão sempre deficitários. A contrapartida desse défice é a garantia da prestação de um serviço público de qualidade. Ora bem, aqui na RAM, os madeirenses ao avalizarem o programa eleitoral de AJJ estão a contribuir para o fim do serviço público de transportes de passageiros. AJJ está a ser coerente com o que sempre disse: os transportes não podem ser sorvedouros de dinheiros públicos. Sendo assim, a sustentabilidade dessas empresas passa unicamente por aumentar as receitas (via aumento dos bilhetes/passes sociais/serviços de aluguer) ou diminuir a oferta de carreiras e horários. Querer diminuir o esforço estatal nesta área implica necessariamente uma das duas consequências anteriores. Portanto, sinceramente não entendo o porquê das atuais queixas dos utentes dos transportes públicos na RAM. Estão simplesmente a obter aquilo que ESCOLHERAM!