Sérgio Potier Há muitos economistas que defendem que se elimine a possibilidade de cada país desenvolver uma política monetária autónoma (nacionalismo monetário) ou seja, que países pouco competitivos se mantenham na zona euro, e que não devem ter moeda própria, para a poder desvalorizar, pagar dividas com a sua moeda, e deixarem de ter uma balança de pagamentos cronicamente deficitária. Portanto ,defendem que esses países devem estar nas chamadas zonas monetárias óptimas, que só são óptimas para uma Alemanha; Filândia, França etc. Há um professor da Universidade do Minho que fez uma tese de mestrado e que defende se Portugal não tivesse entrado para a zona euro estaria a crescer em média 2% ao ano. Poder desvalorizar a moeda não signifia orçamentos deficitários, pelo contrário, a moeda própria até beneficiava o orçamento. Quanto à desvalorização monetária ela só tem efeitos sobre o PIB e a inflação no médio prazo, e não como o euro que é imediata, em que o PIB não cresce e em que a inflação sobe, já que, o rendimento disponível das famílias actualmente (moeda, salários) é menor relativamente a bens e serviços. A Alemanha pelos vistos está bem apesar do crescimento negativo. Uma pergunta para terminar: um grande número de empresários portugueses é favorável a que Portugal se mantenha na zona euro, contudo, ao investirem em países estrangeiros (Brasil, Angola, Cabo Verde, Polónia, Reino Unido) os governos destes países algumas vezes desvalorizam as suas moedas, e pelos vistos os empresários não se importam. Porquê?. Deve haver uma resposta.