Não sei quem foi que o disse nem quando mas acho da mais elementar justiça reconhecer que, seja lá quem for, tinha muita razão ao defender que, se não sabemos para onde vamos, não chegaremos lá… Eu acrescentaria, arriscando-me a estragar o sentido que o autor queria dar à frase, que pior ainda é também não sabermos de onde vimos! Parto deste princípio na busca de uma explicação para a causa dos nossos problemas, que desconfio reside no facto de termos optado por construir a nossa sociedade baseada nas teorias desse grande economista que foi o Zandinga, que criou aqueles modelos previsionais quase infalíveis. Muito mais do que discutir teorias económicas, mais ou menos aprofundadas, de teor mais ou menos social, com mais ou menos Estado, a grande discussão deve ter sido esta: - estuda-se ou "zandinga-se"? Pelo que constato, a segunda hipótese teve larga maioria, isto no que toca ao investimento! Não interessou mais nada para além do acto propriamente dito, que não precisava ter relevância económica ou social; bastava um fundo europeu que o suportasse para avançar. Está, portanto, explicada a lógica subjacente ao que leio de alguns escribas da praça que, sem qualquer constrangimento ao nível dos caracteres, peroram veementemente contra aqueles que, como eu, defendem que se estude, planeie e preveja. No Turismo como em qualquer outra área! Pegue-se no exemplo das estatísticas oficiais e no sentimento que deve perpassar na cabeça dos hoteleiros quando as lêem, excepto aqueles que todos os anos têm 93% de ocupação e crescimentos entre os 3% e os 5% em relação ao período homólogo anterior. Onde é que raio vão as entidades oficiais buscar aqueles números previsionais, sempre brilhantes, que depois dão os totais anuais reais que dão? Só pode ter sido ao Zandinga, que assim permitiu esta desmesurada oferta hoteleira que hoje por hoje só conseguimos ocupar em 50%. Desejo a todos os pacientes leitores umas Festas felizes!
André Barreto, Empresário