Seis mil portugueses perderam o emprego no mês de Outubro, o que equivale em termos médios, a oito despedimentos por hora. Estes são os dados brutais revelados pelo gabinete de estatísticas da União Europeia. Na Região registou-se, num ano, mais de 23.583 desempregados. Só no mês de Outubro e em relação ao mês de Setembro, foram mais 771 pessoas que se inscreveram no Centro de Emprego. Ainda que mais variantes não entrassem na equação, estes números revelam bem o fracasso das opções politicas destes governos. De lá e de cá. Confrontado com eles, o Ministro da Segurança Social, afirmou que eram números preocupantes. Falou como se não tivesse nada a ver com o assunto. Os números do desemprego são, para ele, "uma desagradável surpresa". Desde que se cumpra o programa que a que o Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, as três entidades que "governam" este país, são apenas "danos colaterais". Os objectivos têm que ser cumpridos para passarmos em todas as avaliações. E, pelo que vão dizendo, temos passado com louvor e distinção, ainda que o défice não baixe, que a recessão tenha sido acima do previsto e que, a receita fiscal, para espanto dos experts, tenha caído, coisa que a minha mãe, sem qualquer formação em economia e finanças e, do alto dos seus 78 anos, já tinha previsto Imbuídos do mais puro maquiavelismo, gritam bem alto que os fins justificam os meios. Ainda que tenham quebrado todas as promessas que fizeram e que serviram de justificação quando chumbaram o PEC IV. Prometeram não subir os impostos, não cortar salários e consideraram, até, uma estupidez sem tamanho cortar os subsídios de férias e de Natal. Mas aumentaram os impostos, cortaram salários e roubaram todos os subsídios. De mentira em mentira e, de embuste em embuste, fizeram disparar para a chocante percentagem de 30%, os portugueses que vivem abaixo do limar da pobreza. Número que devia envergonhar quem governa um País com 900 anos de história. Um país que agoniza sob peso da austeridade que lhe foi imposta. E nada resultou. E como nada resultou, vamos continuar a pagar esta cegueira ideológica, (sim, já todos percebemos que é de medidas, essencialmente, ideológicas que estamos falando) em 2013 já que, o Orçamento de Estado aprovado insiste na mesma receita: roubar a quem trabalha para sustentar os mercados financeiros. O orçamento de Estado que a maioria PSD/CDS aprovou e que, segundo Vítor Gaspar, é a única forma de alcançar o défice, insiste em apontar o mesmo caminho: um brutal aumento de impostos! Admira-me, ou não, que todos os especialistas de serviço e que apontam para perspectivas optimistas, não vejam nem estimem, que este orçamento irá lançar a economia numa espiral recessiva arrastando para o abismo a, já frágil e quase inexistente, economia. As expectativas em relação a este orçamento são nulas, até para o próprio Vítor Gaspar. Mas vamos continuar a passar os exames da Troika. Em Fevereiro, quando se der o novo exame, voltaremos a ouvir, que passamos com louvor e distinção, ainda que esse louvor e distinção, venha caldeado em mais desemprego e na fome que atinge cada vez mais a população desprotegida. Reconhece-se que a fome existe. Um secretário de estado admitiu que mais de dez mil crianças do ensino básico chegam à escola com fome. A fome, que pode ser aferida nas escolas e nos hospitais onde chegam os alunos que desmaiam por não terem com que se alimentar, reflecte a fome que atravessa a sociedade portuguesa. De um e de outro lado do Atlântico. Os governantes lamentam. Mas como tudo está a seguir dentro do previsto, são apenas "danos colaterais", ruídos de fundo. Promove-se a caridadezinha ao invés de arrepiar caminho optando por um orçamento cuja centralidade fosse defender a dignidade de um povo que merece mais e melhor de quem o governa!
Marília Azevedo, Professora