Recentemente o Banco Alimentar promoveu mais uma campanha de recolha de alimentos que contou com a solidariedade de muitos, num exemplar acto de cidadania duma sociedade que vive um ano de dificuldades e que perspectiva mais um ano de austeridade. Depois da polémica em torno das declarações de Isabel Jonet, exemplarmente se provou que a polémica não foi mais do que o esforço de alguns para gerar ruído em torno duma factualidade, a necessidade de se corrigirem hábitos de consumo. Ainda que as afirmações pudessem ser infelizes, prejudicar o trabalho do Banco Alimentar que conta com o esforço de muitos voluntários e os recursos de muitos beneméritos, seria um acto cruel. Aliás, a própria Isabel Jonet seria merecedora de compreensão, como qualquer cidadão, pois o poder de perdoar é uma capacidade do ser humano e a tolerância um valor a não perder. Será mentira que as restrições aos orçamentos familiares determinam a necessidade de readequação dos hábitos de consumo, a redefinição de prioridades e a afectação de recursos ao que se revelar essencial? Nos tempos em que se vulgarizam protesto e manifestações, depois da recente aprovação do OE para 2013 e da constatação do peso que os encargos com o serviço da dívida têm no OE, será justo questionar o quanto mais penalizado seria esse orçamento sem o esforço de correcção das contas públicas. Se o Ministro Vítor Gaspar tem seguido uma linha de rigor e austeridade os credores têm respondido com redução dos juros da dívida que "compram"… reduzindo-se o impacto dos juros da dívida pública no OE. Não rejeito a existência de trajectórias alternativas, apenas destaco que não podíamos continuar como estávamos e que alguns resultados atingidos merecem ser reconhecidos. O que vos exponho não é ficção, é a minha visão…
Rui Gomes Coelho - Economista