A crise do desporto-rei na Madeira devia servir de exemplo e ajudar a colocar novamente os pés bem assentes na Terra. As dificuldades financeiras estão a atingir proporções impensáveis. Pede-se imaginação aos dirigentes desportivos para continuar a desenvolver as actividades nos seus clubes e associações, "fazer o mesmo com menos" é a palavra de ordem da nossa sociedade. Quem não percebe nada disso até acredita que as colectividades madeirenses usufruíam de subvenções públicas pouco proporcionais com o que era produzido em termos práticos. Outrora talvez, mas esta década tem posto a nu o quanto frágeis e débeis somos quando o prometido não é devido. O governo prometeu muito mas tarda em regularizar (será que algum dia o fará?) e, portanto, a realidade é que os clubes andam há anos a pão e água, com algumas excepções bem identificadas evidente e infelizmente. Pedir que se faça o mesmo com menos, com muito menos ou mesmo quase nada, é brincar com os sacrifícios que fazem muitos dirigentes (nem todos), treinadores, atletas e árbitros desta Região. É preciso um novo rumo, uma nova política. Toda a gente o diz mas ninguém o assume. Mudam-se as caras e os nomes dos responsáveis pelo desnorte contínuo desta política desportiva mas ninguém "inventa" uma solução. Não se vislumbra a tal luz ao fundo do túnel ou talvez essa luz e esse túnel sejam apenas o caminho que nos leva ao Além e ainda não nos apercebemos, mas estamos moribundos, alguns "mortos" mas ainda não sabem… Quem pega nisto: o cangalheiro?
Arlindo Vieira - Colaborador da AA UMa