Para os menos "adormecidos" talvez nunca o novo ano tenha sido tão indesejado como o de 2013. Depois dos artifícios do fogo que se aproxima, muitos começarão lentamente a perceber o que aí vem. Já em janeiro chega o maior aumento de impostos de sempre, devido a uma sobretaxa de 3,5% e à redução do número de escalões do IRS. Cada contribuinte deverá perder cerca de um salário no decorrer do próximo ano. O "enorme aumento de impostos" (as palavras, é bom lembrar, são do próprio ministro das Finanças) veio para ficar e, pior do que isso, a receita do Governo está a falhar. Enquanto se mantiver o autismo político nada de novo acontecerá. Mas pior é pensar que um novo aumento de impostos é visto como o único caminho quando Portugal não tratou nos últimos anos de distribuir equitativamente o esforço fiscal dos portugueses. O que é pedido a cada contribuinte não é o espelho das reais capacidades que cada um possui para os pagar, num país onde existe uma fortíssima evasão fiscal e onde a economia paralela tem vindo a crescer. Custa acreditar num país a duas velocidades que vê a pobreza a crescer, o desemprego a alastrar e que permite a criação de um "défice" chamado BPN que o Estado (todos nós portanto) estamos a pagar sob pena de uma hipotética (mas na prática irreal) crise sistémica da banca nacional. O défice do BPN poderá chegar a quase 7 mil milhões de euros, que todos pagaremos. Custa acreditar num país a duas velocidades que num trimestre apressado quer reduzir o défice colocando à venda setores estratégicos nacionais, sejam a TAP, a ANA, ou a RTP, com os olhos postos num "encaixe" financeiro destinado a cumprir os compromissos com os credores internacionais.

Luís Sena Lino, Consultor de Marketing e Comunicação