O próximo ano será certamente um ano de esperança. Depois de todas estas situações que estamos a viver: crises, dificuldades, desemprego, entre tantas outras fatalidades, não nos resta mesmo outro caminho senão o de termos esperança e confiança. O nosso caminho é inevitável. Depois, de anos sucessivos a "esticar a corda", com os particulares a gastarem muito mais do que podiam; os governos a fazer e a construir muito mais do que o orçamentado e sem qualquer controlo; os bancos a emprestarem mais do que podiam, apenas tendo por base a visão do lucro fácil;as empresas com um acesso ao crédito quase ilimitado…, e tudo isto, sem qualquer supervisão bancária, com um Banco de Portugal completamente alheado de toda esta realidade ou com pessoas pouco preparadas tecnicamente para "controlarem" quem injectava dinheiro fácil na economia, de forma desapropriada e inconsequente. E agora? Agora a culpa morre solteira! Agora, tudo está feito! Só nos resta mesmo termos aprendido de uma vez por todas, que afinal, os orçamentos são e devem ser encarados "a sério" dentro de uma organização. Nunca se pode gastar mais do que se tem! Tenho esperança que a mentalidade do povo português mude. Tenho esperança que seja um ano sabático e que nos leve, mesmo, a reflectir e a mudar a forma de estar, trabalhar, de sermos mais produtivos e eficazes. Temos de construir um país com visão estratégica, com um plano e visão de "longo curso", com projectos essenciais e estratégicos em áreas vitais de crescimento económico, de sustentabilidade social, de investimento público, a 10 e a 15 anos, independentes de cores políticas. Temos, de uma vez por todas, pensar global e agir local. Não, em ciclos de 4 anos, mas sim, sabendo que temos de construir para levantar um país, alimentar novas gerações e sermos responsáveis pelo que fazemos e deixamos a futuras gerações. Não estivemos em guerra mas é como se tivesse havido. Temos tudo ou quase tudo para fazer. Haja esperança… Bom 2013!

Pedro Calado, Vice-Presidente da CMF