Porque o Natal e o início de um novo ano se prestam a pedidos e desejos, há que pensar mais alto e pedir que 2013 não seja o ano do grande descalabro, mas sim o ano que em que o bom senso impere, por forma a erguer Portugal do pântano para onde nos encaminharam como se esse fosse o único rumo possível.
Que 2013 não nos coloque definitivamente à sombra de uma desesperança e de um desespero cada vez mais profundos, num país que vive de mão estendida e onde as gerações mais novas têm de emigrar para conseguir trabalho, ir à escola nas férias para poder comer uma refeição quente e ficar à mercê da solidariedade para continuar a acreditar no Natal.
Ao contrário do que nos querem fazer crer, o pior que pode acontecer a este país não é uma inversão de marcha, o pior é seguir em frente, de acelerador a fundo, num descontrolo guiado pela convicção dos que nos governam, mais odedientes ao seu esquema ideológico do que às directrizes internacionais a que se dizem presos.
Numa altura em que o Primeiro Ministro ameaça dirigir-se novamente ao país, e neste caso ameaça não é eufemismo, é de esperar que a boa vontade da época opere os seus milagres e que Passos Coelho recue naquele estilo violento de nos roubar a esperança de cada vez que nos atira novas ideias do seu projecto político.
É que este Primeiro Ministro ataca, à vez, tudo o que se mexe em Portugal. Desde os trabalhadores aos reformados, não há quem escape à fúria demolidora de quem se julga detentor de uma qualquer missão, mais apocalíptica do que salvadora.
Ainda vamos a tempo de recuar, de recuperar o fôlego e a força. Apesar de tudo, ainda há tempo para uma mudança, ainda nos resta, a todos, essa força que julgamos já não ter. Mas é agora, o momento é agora, mais um pouco e vamos perder o jeito, a vontade, a alma. Pior do que um país pobre, é um país que se habitua à pobreza, à caridade alheia, ao resto que lhe atiram. Por isso, que tal um pouco de esperança para variar? Ainda vamos a tempo.