A Madeira necessita de um novo paradigma de desporto escolar. Antes, todavia, urge avaliar, com rigor, todas as condições, deve-se ouvir a comunidade educativa e o parecer dos representantes dos pais, sem esquecer a experiência dos professores de educação física envolvidos. Torna-se imperioso analisar os recursos humanos e financeiros disponíveis, perceber os erros, garantir os meios de segurança dos alunos, bem como a qualidade da prática desportiva. O desporto escolar pode ser orientado de forma a cumprir três objectivos: facultar uma actividade física mais regular; desenvolver uma dinâmica de competitividade e proporcionar o rendimento desportivo. Não obstante, estes propósitos cumprirão o seu papel, no desenvolvimento integral dos alunos, se os seus professores conseguirem educá-los para as atitudes de respeito pelos adversários, para um consciente fair-play, como também para a boa gestão dos efeitos de euforia na vitória e de frustração na derrota. Uns alunos têm possibilidades económicas, outros não, por isso, é um erro estratégico conceber um modelo de desporto sem prever uma solução que resolva os problemas da alimentação nas concentrações, das deslocações dos alunos para os jogos, dos horários dos treinos e da situação dos professores que os acompanham. O desporto escolar deve estar centrado numa estratégia de actividade interna dinâmica e regular em cada escola, aberta a todos os alunos que quiserem jogar e praticar uma modalidade, independentemente da sua capacidade. Durante os jogos, os professores devem sinalizar os melhores de modo que no final do ano lectivo, e aí sim, possam organizar, de acordo com os seus recursos e para cada modalidades, as selecções das escolas. Imbuídos de um espírito desportivo mais forte, cada selecção deverá competir, numa fase final, em várias escolas, com sorteios e eliminatórias.

Rui Caetano, Professor