Ainda bem que toda a gente sonha, porque é expontâneo e fácil sonhar, e ... quando esse sonho está carregado de nuvens cinzentas, fácilmente se transforma num pesadelo, ao contrário, se existir bom tempo com céu aberto, temos um verdadeiro e genuíno sonho. Pela História e pelo Mundo fora, muita gente famosa e não famosa sonhou, e sonhou pensando depois realizar esses seus sonhos, ... um deles, foi Martin Luther King - cujo sonho que sonhou, acabou mal, como bem sabemos. Sonhar, em termos meramente fisiológicos, é um fenómeno de desentoxicação da massa encefálica, é uma libertação de energias acomuladas pela nossa torre de comando, e portanto, é saudável sonhar, ... tão saudável e fisiológico como ir ao Water Closed (WC) libertar excessos ponderais, sólidos, líquidos e gasosos. Então, fácil como natural, apareceu-me durante um profundo e merecido sono, um sonho tão simples como este: - Sonhei que a cadeira de Matemática estava incluída obrigatóriamente no acesso e no curso de Direito! Não entendi a origem deste sonho, mas deve prender-se com o facto real, de muitos políticos que nos governam, aqui, ali e acolá, serem na sua maioria, advogados - sendo eles, prioritáriamente, quem faz as nossas contas, quem decide os nossos impostos e quiçá, o rumo das nossas vidas, sem perceberem pêvea de Matemática. Não costumo falar de política - é assunto que não me atrai - por isso mesmo, esta situação só poderia ocorrer mesmo, vinda do interior e na origem de um sonho! Mas, na continuidade, quis interpretar o teor deste meu sonho, ... e lembrei-me de pedir aos políticos advogados, daqui, dali e dacolá, uma explicação para este trivial problema: - Um cidadão normal, com uma cabeça, um tronco e quatro membros, com actividade profissional, reconhecida, idónea e registada, trabalha - e desconta, uma percentagem do seu ordenado para a reforma - durante, vá lá, 45 anos ... e chegada a sua hora - p´ra i aos 60/65 anos - sai de cena, recambiado para casa. Tem os tais 60/65 anos, não fuma, bebe um copo de vinho tinto duas vezes por dia, não é gordo, faz exercício físico diário, tem prespectivas de viver até aos 85 ... e a pergunta é: - Se os descontos da sua vida inteira só dão para 4 ou 5 anos de reforma, quem vai pagar o resto? E já agora: - Alguém já tinha pensado como resolver esta elementar conta de matemática? Todos reparamos, como estão os telejornais tão infestados de economistas - mas infestados no bom sentido, isto é, temos muitas, diversas e até festivas opiniões económicas e economicistas, temos muitas projecções futuras de crescimento económico, temos previsão de exportações aumentadas para os países emergentes - que são exactamente aqueles países, que vivem sem regras, onde ninguém paga impostos, porque também não existe qualquer "contabilidade organizada". Enfim, nunca vi tanta gente a fazer que faz contas ... e nós aqui, do outro lado do écran, sempre á espera que as contas "queiram" bater certas! Não puxando brasa á sardinha de ninguém, recordo que os médicos, profissão com pouco ou quase nenhum estudo de Matemática durante o seu curso, no entretanto, quando no dia a dia de actividade laboral, quando a prática clínica começa a aquecer, não passam meia-hora do seu trabalho, sem que não tenham de fazer contas, e contas certas, para poder dar a dose adequada do medicamento, de acordo com o peso, idade e condição física do doente que está á sua frente. E já´gora, lembrando uma conversa num jantar entre amigos, quando inocentemente, o filho de um deles, o amigo Vasco, de 12 anos perguntava - Porque escolheram um médico para fazer as contas e dividir o preço do jantar? ... oportunamente, pergunto eu - Porque escolheram advogados, para fazer as contas dos países da nossa tão esclerosada União Europeia? Advogados, daqui, dali e dacolá?
José Manuel Ramos