Sabemos como tudo começou, os turistas alojados no Funchal tinham necessidade de ocupar o seu tempo de lazer e conhecer a ilha, e a excursão ao Porto Moniz passou a ser quase obrigatória, a par da visita á Eira do Serrado e ao Pico Areeiro, entre outras excursões tradicionais sugeridas aos turistas que visitavam a Madeira nas décadas passadas. Com este fluxo sustentado de turistas (ou excursionistas?) emergiram iniciativas ou manifestações de interesse no investimento turístico a Norte que as autoridades públicas do turismo incentivaram fortemente sem se preocuparem com a viabilidade dos empreendimentos que apoiavam porque o que interessava era criar riqueza e gerar emprego. Nada mais louvável para a população local, só que importaria garantir que o negócio fosse sustentável no seu funcionamento e que os apoios concedidos não se ficassem apenas pelo incentivo á criação de projectos turísticos sem cuidar da sua promoção e venda, investindo na valorização e consequente notoriedade da Costa Norte. Criaram-se então hotéis e restaurantes mas faltaram estruturas ou actividades complementares organizadas para o acolhimento do turista e o enriquecimento da sua estadia naquela zona. Por outro lado, nunca se viu qualquer destaque promocional da Costa Norte na promoção do destino Madeira quando por exemplo na vizinha Grã Canária Tenerife beneficiou de uma abordagem promocional específica que lhe fez ganhar marca própria. Por isso, quando tanto se fala da necessidade, e bem, de um Plano Estratégico de Desenvolvimento do Turismo, vale a pena alertar os seus autores para a necessidade de colmatar uma falha que não cabe só aos privados dos concelhos de Porto Moniz e S.Vicente preencher. Apesar de tudo, é de sublinhar o esforço do grupo do falecido Marcos Rosa na captação do mercado francês, em particular, criando condições para que assentem arraiais no Norte e conheçam a Madeira a partir daí. Claro que o Norte tem condições climáticas menos favoráveis que a vertente Sul da ilha mas cabe aos profissionais do sector e aos responsáveis públicos da Costa Norte contrariar essa realidade e contribuir para a valorização de um destino com condições naturais únicas para a prática de diversas actividades de lazer e/ou desportivas, para além da obrigação de envolver a economia local nos ganhos a obter com a actividade turística. Não nos conformamos com as fatalidades da Natureza e se depois da tempestade vem a bonança, quem na própria ilha alerta os turistas e residentes no Funchal para uma ida a Norte «ver as vistas» e almoçar num dos seus restaurantes? Critica-se o Boletim Meteorológico Nacional por só divulgar o mau tempo a Norte da Ilha, mas quem, na própria Ilha, contraria essa visão que penaliza o negócio do turismo nesse território afectando os seus empresários e os trabalhadores em geral? Os investimentos a Norte não se deslocalizam, por natureza, mas a política que os desenvolve e promove, pode mudar. É isso que todos,a Norte, esperam um dia poder vir a acontecer!
Nuno Jardim Fernandes, Gestor