Será que incorro no dramatismo, se disser que o desporto Madeirense começou a andar para trás? Ora vejamos. Escalões de formação sem competição, equipas impedidas de viajar, clubes ameaçados com descidas de divisão por falta de comparência aos jogos, salários em atraso. E ainda, falta de condições de treino, cabinas sem água quente, piscinas sem água aquecida. Enfim, o regresso ao passado. Uma marcha-atrás de vinte anos. Tudo porque faltou o dinheiro. O tal que afinal, alimentava toda uma política desportiva para "Inglês ver". Onde está a sustentação dos rios de dinheiro que foram gastos? É verdade que se aproveitou algum e fez-se coisas boas. Não podemos esquecer os títulos, os internacionais, os olímpicos. Mas…e depois, o que ficou mais? Dívidas, clubes e dirigentes endividados. E de quem é a responsabilidade? Certamente de quem alimentou vícios e deu dinheiro publico ao desbarato, à conta de vários interesses, essencialmente políticos, sem acautelar o futuro do desporto da Madeira. A tal política desportiva não foi mais do que pôr dinheiro nas mãos de dirigentes sem capacidade de gestão. Que quiseram transformar micro clubes em clubes de alta competição. Plantéis com jogadores a mais, a maioria de fora da Região, equipas técnicas com quatro e mais elementos, modalidades sem expressão. Pareciam clubes ricos. Objectivos? Nunca percebi. Subiam numa época desciam na outra seguinte. Ao fim de cada uma, o mesmo discurso…é preciso mais dinheiro! Era o desporto a saque! Nunca souberam parar. A vaidade e a fama eram maiores que a lucidez. Havia luz verde da Quinta Vigia. Sempre em frente até ao abismo. Agora choram todos e ameaçam fechar modalidades e clubes. Nem pensam nos atletas nem na formação. Apure-se os responsáveis deste insucesso que há muito se adivinhava! Como será o futuro dos jovens Madeirenses na formação desportiva? Será que "tirar os pequenos da droga" deixou de valer e fazer sentido?
Mário Gouveia, Jornalista