As chuvas que ocorreram no Norte da ilha de forma mais intensa durante o mês de Novembro, e que provocaram alguns prejuízos, foram tema de conversa entre os locais e, claro, motivo de notícia na comunicação social. Antes de mais quero aqui deixar uma palavra de solidariedade para todos os que tiveram prejuízos devido às mesmas. Situações como a que vivemos são perfeitamente normais e basta falar com as pessoas mais idosas destas localidades para perceber que, à excepção de um ou outro caso, as quebradas os ribeiros a transbordar são situações que se repetem de anos a anos, nos mesmos locais. Numa dessas conversas sobre uma determinada quebrada, alguém dizia o seguinte: "foi a nascente que abriu, não sabes que aquela zona é um olheiro". Continuando a comentar o motivo desta e de outras quebradas, a determinada altura alguém comenta: "claro, aí cai sempre e vai continuar a cair enquanto não limparem a aberta. O meu pai dizia que o pai do senhor Ernesto, quando era presidente da Câmara, mandou abrir uma aberta para desviar a água da chuva para o corgo, evitar as quebradas e para não vir água para dentro do sítio. Mas nunca mais ninguém ligou a nada e aberta está cheia de mato, quando dá uma chuva mais grossa cai logo alguns barrancos e dizem que as casas ficam em perigo". O conhecimento que os locais têm da zona leva-os a tomar medidas de prevenção adequadas, muitas vezes coisas simples como "abrir uma aberta atrás de uma nascente, para esta não abrir". A aberta é nada mais que um canal para canalizar a água da chuva até á linha de água mais próxima. É uma lição que se pode aplicar a outras situações, quando se verifica que por vezes há alguma negligência, quer da parte de entidades públicas quer dos privados, para evitar prejuízos directos das chuvas. Na era em que vivemos a notícia, para o bem e para o mal, chega rapidamente a todo lado e, como tal, estão a verificar-se outros prejuízos indirectos, que são igualmente importantes, nomeadamente no comércio, restauração e hotelaria. Há alguns comentários de pessoas com responsabilidade que, talvez por não ouvirem os residentes, dão a ideia que o perigo é iminente e que a destruição foi elevada, o que faz com que muitas pessoas ponderem a sua deslocação ao Norte, que muito precisa que se abram as abertas (estradas) para que as águas (pessoas) correrem livremente. Boas festas a todos.
Joel Freitas - Presidente da ACIN