“O que há em mim é sobretudo cansaço — Não disto nem daquilo, Nem sequer de tudo ou de nada: Cansaço assim mesmo, ele mesmo, Cansaço.”
Álvaro de Campos
O que dizer de uma Região e de um país, onde os governantes podem tudo, sem limites? Onde desrespeitam uma das maiores conquistas democráticas que é a liberdade de imprensa com o maior despudor, às claras, sem que a maior parte das pessoas se incomode. Não merece sequer um encolher de ombros.
Porque já não há nada que não se espere do bobo da corte. Porque há anos que a incontinência verbal é doença diagnosticada, mas nunca tratada. Mesmo com as consequências nauseabundas que provoca. Depois de, em cuecas, se referir à Assembleia da República como se referiu, e não ter acontecido nada, tudo se espera. Tudo é permitido. Porque o desrespeito pelas instituições democráticas é um ‘modus vivendi’, que a maioria aceita, sem questionar. Dentro e fora de portas.
De facto o problema não é ter dito “não me venham com essa treta da liberdade de imprensa”. Isso foi só a verbalização de um ‘modus operandi’ com objectivos maquiavélicos: Linchar todos os que não pensam como o próprio. Mesmo que isso custe 11 mil euros/dia e tenha custado mais de 50 milhões em 20 anos, que sai dos bolsos esfolados dos contribuintes. Já se sabia.
Eis o resultado de anos de permissividade. No continente, há quem acuse os madeirenses de medo e falta de coragem. Que não souberam mudar nas urnas uma teia de interesses e compadrio, que arrasa todos os que, pensando por si, são considerados ‘inimigos’. Mas cobardia maior ou igual tem sido a de Lisboa que de fora assistiu, impávida, riu-se e agora ignora, fecha os olhos, letárgica.
Quando se abre um precedente destes, seja em que parcela do território for, está escancarada a porta para florescerem Relvas daninhas no Jardim democrático. E deste lado, o país político e jornalístico incomoda-se, retrai-se, com os saneamentos, com as tentativas de controle, com os aprendizes de feiticeiros. Cansado, esperneia, às vezes grita. Mas enquanto protestar de forma sectária espera apenas pela morte.