Se entrei ou não nem eu própria sei. Não são erros meus, má fortuna ou amor ardente nem me lamento como Camões. Não me parece que tenha entrado na baliza do alemão Hans Tilkowski depois de estremecer na barra em Wembley, a 30 de julho de 1966, mas, 44 anos depois, batizada Jabulani, entrei de certeza na baliza de Manuel Neuer, na África do Sul, no Free State Stadium, a 27 de junho de 2010 - só que o árbitro uruguaio Larrionda não viu um palmo à frente do apito e deixou Frank Lampard e todo o English Team sem fé nos juízes do futebol. No Mundial 66, o suiço Gottfried Dienst, por não ter bem a certeza e não para sacudir a água do capote, foi pedir sérias explicações ao fiscal de linha russo Bakhramov que gesticulou à letra que sim senhor que o pontapé de Geoff Hurst, à tona da pequena área, tinha todo o feitio de golo quando desceu da barra. E a Inglaterra foi campeã do mundo quando quem merecia nem era sequer a Alemanha Ocidental ou RFA, mas sim Portugal d´aquém e d´além-mar; de Eusébio; d´Os Magriços da história e de Os Lusíadas em homenagem aos nossos 12 cavaleiros que há séculos viraram mares e galoparam dias para defender a honra de 12 damas inglesas. Como a culpa era da bola que olhos não tinha, foram amassando ideias para combater o "golo-fantasma" nas costas da tecnologia com árbitros de baliza, porque errar é humano - Tchekhov dizia até que "mais humano ainda é atribuir o erro aos outros". Finalmente, o conservador International Board abriu-se à ciência para encontrar respostas e as empresas Hawk-Eye e GoalRef avançaram em defesa da pureza do golo virgem com câmaras de vídeo e campos magnéticos. A revolução está a ser testada no Japão no Mundial de Clubes. A honra coube à Cafusa, um nome que nasceu de nomes às cores como carnaval, futebol e samba que a Liga Portuguesa vai adotar já nesta jornada.

Juvenal Xavier - Jornalista