Hoje, não é possível imaginar, mas em 1931, o Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, tinha um sentido positivo. Visionário, Huxley, profetizou uma civilização organizada, em que todos as pessoas eram controladas desde a gestação por um sistema que aliava o controle genético, e predestinadas a condicionamento mental que as subjugava ao sistema instituído, em proveito de uma aparente harmonia social. Porém, não sendo exceção, esta utopia, encerra um ponto crucial: a desumanização! Na verdade, Huxley discutia os limites da mente humana e a carga emocional que o homem era capaz de suportar. Os métodos utilizados para dominação humana, na sua perspectiva, deveriam aliar violência e persuasão. Acontece que, não prospectivadas por Huxley, outras realidades emergiram e deram lugar a um novo mundo tecnológico, submetido à informática e à internet, que a nível planetário vieram alterar a forma como as pessoas vivem, trabalham, se relacionam, comunicam, sentem e até pensam. Mas, essas realidades mutantes, caóticas e incontroláveis parecem conduzir o mundo em que vivemos para o pesadelo da excessiva falta de ordem ou da ordem em excesso, da incerteza constante e da sucessiva falência da utopia. É nesta conjuntura que, como Huxley e outros sonhadores, procuramos idealizar, ajustar e viver o futuro, mas, infelizmente, não sabemos o caminho nem até onde nos levará este novo mundo.

Francisco Capelo - Colaborador da AAUMa