Numa altura em que o Governo madeirense apresenta o seu Orçamento Regional para o próximo ano, uma dúvida-constatação me assalta a consciência: estará o Executivo regional a fazer tudo o que é possível para ajudar as empresas que, por culpa própria ou da conjuntura, vão ter um 2013 ainda mais preocupante que o ano actual? São muitas as empresas em situação difícil. Chegaram a esse ponto por má gestão, por falta de visão, por razões exteriores ou por culpa de atrasos nos pagamentos, alguns da responsabilidade do Governo Regional. Estes são os factos. Compete aos governos usar a sua influência – e os governos têm de ter influência! – para sensibilizar os outros parceiros no mercado. Bem sei que, aqui na Madeira, a única influência que o Executivo tem é a do dinheiro. Ou paga não paga. E logo por aqui se vê como está tão mal cotada a sua influência, agora que todos os tostões são contados e geridos a partir de Lisboa. Contudo, a influência de um governo e das pessoas que o compõem avalia-se pela capacidade que possam demonstrar, no terreno, perante casos concretos. Influência que nada tem a ver com disponibilidade financeira, subsídios para distribuir ou fundos exteriores para intermediar. Influência é ter pachorra e ideias, primeiro, para pegar num telefone e falar com outros decisores; depois dessa vontade e criatividade próprias, que são muito reduzidas, é preciso que do outro lado da linha haja alguém disposto a atender. Tudo isso se simplifica quando se tem provas dadas, quando há capacidade, quando governar não coincide apenas com a gestão daquele ‘quintalzito’ que lhe atribuíram, como se tivesse recebido a chave de um castelo. Pode parecer uma teoria muito simplista, mas governar é pensar nos outros. E os nossos governantes pensam nos outros? Fica a pergunta, responda quem souber. Voltando ao princípio: estará este Governo Regional a fazer tudo o que pode fazer para ajudar as empresas? Sugiro que o leitor me acompanhe num exercício simples, pegando num exemplo concreto: o Grupo Sá, que entre defeitos e virtudes dá emprego directo e indirecto a milhares de famílias madeirenses, está a passar por uma fase muitíssimo delicada. Por má gestão ou simples azar, as coisas estão muito complicadas. Colocam-se diversos cenários como solução, alguns deles bastante penalizadores para muitas famílias e, em última análise, para a economia madeirense. Decorrem negociações em vários ‘tabuleiros’ e não há nenhuma luz ao fundo do túnel escuríssimo. Pergunto: que fez em concreto o presidente do Governo, ou o responsável pela Economia do Executivo? Estarão preocupados, ao menos? Que contributo – não falo de subsídios nem de fundos de terceiros – ou que influência tiveram ao longo deste processo? Acaso acham concluída a missão da governação com a realização de um jantar a carpir mágoas? É por demais óbvio que um governo responsável – que pensa nos outros – já teria tentado alguma diligência. Não tem dinheiro, mas tem influência para gerir. Espero que não me peçam para dizer exactamente o que deve ser feito. Mas se o deserto de ideias estiver a bloquear alguma cabeça, sempre podem olhar para os Açores e constatarem como é que governantes bem menos mediáticos utilizaram, com inteligência e responsabilidade, a influência que o povo lhes pôs nas mãos.