A História do povo judeu impressiona-me. Não só no último século, com o genocídio,a diáspora e a construção do Estado de Israel. Vem-me principalmente à memória a sucessão de livros bíblicos que se agrupam no antigo Testamento. E se há traço que marca essa nação é a sublimação da esperança. É um povo que caminha na expectativa de uma Jerusalém. É um desfilhar de séculos a acreditar na promessa de Deus que mandaria o Salvador do Mundo. É a tenacidade de um país que resulta da confiança que depositava na palavra revelada aos profetas. Não houve escravatura, dominação, fome ou guerra que os fizesse quebrar nessa determinação que colocava os olhos no horizonte garantido pela voz divina. Temos muitas vezes a tendência de pensar que são as condições das terras ou as capacidades profissionais que melhor garantem o progresso. Uns falam da educação. Outros das habilitações. Muitos procuram elencar as vantagens competitivas que o clima, os recursos naturais ou até a posição geográfica trazem. Disto nos servimos para argumentar porque nunca fomos, não conseguimos ainda ser, ou poderemos ainda lá chegar. Se o nosso olhar se fixasse na terra de Israel poucos veriam o sucesso. Se a analise descortinasse as reais condições em viviam os hebreus, ninguém vaticinaria uma nação de tantos exemplos. É porque poucos de nós falam da capacidade de termos e vivermos da esperança. Há uma economia da esperança como há uma política da esperança. Há indiscutivelmente mais valias que resultam das boas expectativas. No encerramento do Congresso que animou um recente fim de semana, João falou a Pedro. Perguntou-lhe pela esperança. Questionou-lhe sobre o futuro e o natural desejo que os pais têm de assegurar um devir condigno aos filhos. Colocou nas mãos de um só o dever que é de todos. Como se fosse possível a segurança depender de um homem apenas, mesmo sendo primeiro-ministro. Nas palavras informais aí ditas, gerou-se um consenso num aplauso. Havia o desejo de deixar dita a revolta contida. Crescia um incómodo das recentes palavras ouvidas de quem se sente injustiçado. Aí surgiu a voz encantatória de quem leva o coração ao discurso e num apelo que é recado, fala da esperança. Mas quedou-se na esperança no outro e não na esperança que galvaniza. Como quem confessa a debilidade de quem já não consegue contrariar ventos e marés. Como quem se entrega no espaço regional, à esperança de que só os bons ventos continentais podem fazer rodar novamente as mós da nossa subsistência. Entristeceu-me pensar que a esperança que ainda se aplaude parte da desilusão de quem baixa os braços. As mãos que se elevaram no som do apreço são as mesmas que parecem ter tombado na vontade de ultrapassar obstáculos. Estão os cristãos em época de advento, que é a parte litúrgica que mais se fundamenta na esperança. Crescem em espiral nestes momentos os desejos de reconversão intima. Transmite-se a alegria de um menino que representando a concretização da esperança maior, nos veio dar razões de esperança. Neste final de 2012, expresso esse voto de esperança. Que é simultaneamente uma oração tornada pública. Não percamos a esperança. Nos governantes que sabemos escolher e na difícil tarefa que lhes está confiadanos tempos que correm. Também nas nossas capacidades. Mas fundamentalmente nessa esperança maior que foi depositada no íntimo de cada um de nós e que é no fundo a grande virtude da nossa evolução. Acreditemos na Região que desejamos ser.
Ricardo Vieira