São Abreu O título do meu artigo explana, de certa forma, a justificação de situações embaraçosas com que o ser humano se depara quando fracassa e insiste atribuir culpas a seres superiores em ESSÊNCIA e desligados do EGO. No dia 10 deste mês, ao ler o artigo da página 22 do Diário de Notícias intitulado " OCM em (des) concerto final" recordei com muita angústia a eliminação de músicos da Orquestra Clássica da Madeira em 2001 e a extinção da Orquestra de Sopros da Escola Profissional das Artes da Madeira, em 2005, formada por professores e alunos. Relativamente à Orquestra Clássica da Madeira, é evidente que a introdução de excelentes executantes prescindia, por vezes, qualquer regência para transformar a orquestra em algo de grandioso. Era caso para dizer: "com tanto ovo, é fácil preparar omeletes". Após terminar a leitura das duas páginas do Diário resolvi vasculhar um dos meus artigos publicado neste espaço - cartas do leitor - com o título "Qual Orquestra de Sopros?" e equiparei a situação a que chegaram ambos os agrupamentos. Sobre a Orquestra Clássica da Madeira, o resultado é mais que evidente. Em relação à extinta Orquestra de Sopros da Escola Profissional das Artes da Madeira, passo a transcrever alguns excertos do meu artigo pulicado a 27-11-2005: "A Orquestra era composta por cerca de trinta elementos (alunos / professores) na sua maioria provenientes de Bandas Filarmónicas da região. Saliente-se que foi considerada única no país em relação ao seu género e qualidade artística. Hoje, resta apenas um Cd e grandes recordações porque a orquestra não existe….E não existe por ter havido alguém - Sr. diretor pedagógico da "escola profissional das artes na madeira" - que resolveu, a partir do presente ano letivo, dar prioridade a outras formações (grupos corais, ensambles…) de carácter obrigatório no currículo dos alunos, saindo prejudicados os elementos que integravam a referida orquestra. Ora bem! Afinal, o sr. diretor pedagógico conseguiu extinguir o sonho de dezenas de jovens que tiveram de, forçosamente, integrar agrupamentos que, supostamente, não lhes dizem rigorosamente nada nem contribuem para o sucesso das suas aprendizagens. Mas a desilusão não afetou só os alunos. Também ficaram surpreendidos os professores que integravam o agrupamento, incluindo o Diretor Artístico, ADS, que viu destruído o agrupamento que formou com muito empenho e talento. Não é difícil perceber o motivo da desvalorização de projetos propostos e realizados com sucesso, por professores que dirigem com pedagogia e percetibilidade uma orquestra de jovens verdadeiramente interessados." No fim dessa carta expressava a minha solidariedade aos alunos e professores da extinta orquestra. Hoje, venho por este meio, expressar a minha solidariedade e apoio aos executantes da Orquestra Clássica da Madeira, grupo que já integrei, e dar os parabéns aos músicos que já "acordaram" para a realidade, há muito tempo, dissimulada.