As necessidades na Saúde são infinitas e os recursos limitados. Têm de ser tomadas decisões e opções, investindo no mais importante e que beneficie ao máximo a saúde das pessoas. Em Portugal, esses recursos são ainda mais escassos e têm de ser bem geridos. No sector da Saúde, se existe dinheiro para obras, equipamentos, carros e outros "investimentos", também terá de haver para medicamentos, tratamentos, exames, transportes e viagens. Devemos evitar populismos e demagogias, mas é necessário haver rigor, fundamentação técnica e respeito por princípios éticos. A Saúde não pode estar à mercê da vontade de "quem manda". A racionalização dos recursos ao dispor da Saúde faz parte das boas práticas internacionais e visa proporcionar um serviço aos utentes com a maior qualidade técnica possível, utilizando o mínimo de recursos disponíveis. Evita-se o desperdício, a ineficiência, duplicação desnecessária dos cuidados em saúde e libertam-se recursos para outras actividades e necessidades. A nível nacional, a racionalização dos medicamentos e exames está a ser muito comentada e debatida. Várias corporações e indústrias da Saúde receiam que a qualidade e o acesso à Saúde possam estar em causa, mas convém lembrar os interesses envolvidos. Esperemos que se encontre um ponto de equilíbrio entre as partes e que a definição de critérios mais claros e uniformes, aplicados em todo o país, sejam alargados a todo o sector e promovam uma maior equidade no acesso ao Sistema de Saúde.
Duarte Nuno Dória - Gestor