Quem se aproxima de Coimbra é avisado que vai entrar na 'cidade do conhecimento'. Uma verdade sentida nos três dias de congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT). Quem lá foi, e alguns decisores regionais faltaram à chamada, regressa com a sensação que tudo é Turismo, que o que vale para o sector é aplicável a outras realidades. Quem investiu o seu tempo a ouvir duas dezenas de personalidades entendidas na matéria, ganhou um guia de marcha, pautado pela acção e pelo atrevimento, avesso ao comodismo ou à preguiça. Quem gosta de reflectir trouxe motivos para se sentir preocupado.
Em Coimbra muitos confirmaram certezas, alguns agudizaram dúvidas e outros simplificaram processos. Para além das conclusões e das recomendações oficiais, que reforçam o papel dos agentes, outras há que desafiam quem tutela o sector ou nele tem responsabilidades diversas.
Assim, em vez de bloqueios, é recomendável... - Que quem manda, pense. Por muita maçada que dê, tire horas de sono e 'roube' fins-de-semana, o sector público não está autorizado a demitir-se de aprender com quem sabe e a fugir à reflexão conjunta. Pelo menos saberia que se não estorvar, nem complicar já está a dar um grande contributo para a prosperidade. - Que quem investe, faça por ter sucesso. Aos privados, de quem deve depender a dinâmica do sector, cabe a coragem de empreender sem mendigar, de arriscar sem a muleta do Estado e de ser coerente com um rumo assente em exigências e parcerias, em inovação e resultados, em sã concorrência e comunicação assertiva. - Que haja na Região um plano estratégico para o Turismo, vital para conquistar turistas, atingir metas e crescer sem estragos. Não é teimosia de iluminados reivindicar um caminho que liberte o destino de incertezas e de preconceitos, de erros e de obsessões e o coloque nos segmentos com potencial e na rota dos endinheirados. - Que a Madeira defina o que quer. A lógica do tudo e nada, de andar a dar tiros para ver se atinge alvos, não raras vezes acaba por liquidá-los. E afinal, tudo é tão simples: “Os turistas querem viver experiências e apreciar o que é único”, lembrou o secretário-geral da OMT. - Que os destinos, marcas ou submarcas que andaram a espatifar dinheiro no mercado nacional peçam desculpas públicas aos contribuintes. Todos se queixam do mesmo, que os portugueses andam a viajar menos e a provocar perdas de 20% no sector. Mas se calhar a maioria não meteu na cabeça que a promoção interna é dinheiro deitado fora. Se há uma certeza em tempo de austeridade é que não é preciso convencer os portugueses a fazer férias em Portugal. Nos próximos tempos, muitos não saberão o que é férias. Outros irão para fora cá dentro sem que alguém lhes diga que essa é a solução. - Que os keynesianos se acautelem. Portugal pode e deve crescer sem os tresloucados investimentos públicos, hoje insustentáveis, falidos e incapazes de gerar retorno, emprego e valor. Haja novos actores políticos, conscientes de que a negação não altera a realidade. - Que a atracção do investimento estrangeiro seja acompanhada da desburocratização, da celeridade na concessão de vistos, da opção clara pela competitividade e não pela mesquinhez. - Que a "pesca à linha" use o engodo adequado. O diálogo com o consumidor - que vai substituir as campanhas viradas para os mercados e para o posicionamento do destino, até agora assentes em publicidades massificadas – tem tanto de atractivo como de inibidor. - Que a 'aresta vencedora', conceito assente em detalhes, pequenos extras que transformam o ordinário em extraordinário não se deixe limar pela mediocridade reinante. - Que a APAVT dê tempo aos congressistas para mastigar conteúdos. O ritmo alucinante com que decorre o fórum leva a que alguns pormenores escapem, sobretudo os de natureza política, o que no caso até é salutar. Pior é que alguns percam irremediavelmente o essencial.