Quem dá este conselho é Marques Mendes! Foi esta a sua principal crítica ao Governo considerando que os Portugueses seriam levados a aceitarem as medidas de assalto fiscal e salarial se elas fossem "simpaticamente" explicadas... Mas por mais que se esforcem os membros do Governo PSD/CDS não nos conseguem fazer engolir as constantes patranhas e jogos do disse e desdisse que usam para levarem a água ao seu moinho de empobrecimento global da maioria dos portugueses. Mesmo quando parecem simpáticos, escondem graves intenções contra a maioria da população. Senão vejamos! Vítor Gaspar, com aquela voz monocórdica e tentando ser simpático, afirmou que "há um enorme desvio entre o que os portugueses esperam do Estado e o que estão dispostos a pagar por isso". "Esse problema é fundamental, difícil", acrescentou. Já estava lançada a ideia do corte de mais de 4 mil milhões de euros nas despesas sociais do Estado, em termos já definidos pelo grupo de trabalho FMI/Banco Mundial/Governo - 500 milhões na Defesa, Justiça e Segurança e 3.500 mil milhões na Saúde, na Educação e na Segurança Social e a ocorrer talvez em 2013 e em 2014. Tudo isto com um OE para 2013 com cortes nas áreas Sociais e com um aumento brutal da carga fiscal a pagar pelos trabalhadores e pelos reformados. Imediatamente, muitos comentadores encartados começam a afirmar que as despesas sociais do Estado e com o Funcionalismo consumiam mais de 70% das receitas fiscais e que tal era inadmissível, colocando-se todos ao lado deste corte brutal a somar à enorme carga fiscal que, de acordo com o FMI, será para manter. Mesmo que isto fosse verdade, é espantoso que se espantem que a maior parte do dinheiro dos nossos impostos seja gasto para sustentar a Saúde, a Educação, a Segurança Social e outros Serviços Públicos socialmente úteis. É preciso que fique claro que o País nunca se endividou para pagar salários ou despesas sociais! É para isso que pagamos impostos. Não deveria ser para PPPs, para juros usurários da dívida que nós não contraímos e para tantos outros gastos inúteis dos Governos ou então para pagar juros da parte do empréstimo que vai para a Banca. Mas nem é verdade o que afirmaram. De acordo com o OE para 2013 Serviços Sociais como a saúde, educação, cultura, habitação, etc., representam apenas 15,8% da despesa e outros serviços do Estado como a defesa, administração, funções económicas, etc., representam 14,2% da despesa, muito longe dos valores apregoados, ou seja 30% da despesa. Comparando com 2012 há um corte de 2 mil e 436 milhões de euros a somar ao corte de 2 mil e 350 milhões de euros já efectuado no período 2010-2012. Mesmo no que se refere aos salários dos Funcionários Públicos é necessário dizer-se que entre 2005 e 2011 o seu valor baixou 18,8% no PIB contra uma baixa de 1,1% em toda a zona euro. Hoje representam 10% do PIB. Para o ano 2013 Vítor Gaspar prepara-se para um enorme aumento de impostos que irão empobrecer ainda mais os trabalhadores e reformados e com base na mentira efectiva e com a ajuda de muitos comentadores prepara-se para cortar mais de 4 mil milhões de euros nas despesas sociais do Estado. Por este caminho acabarão por reduzir o Estado a grande colector de impostos de quem trabalha ou é reformado e que receberá em troca apenas serviços mínimos e pensões mínimas. Depois esta massa de despojados lá terá a caridade de instituições subsidiadas pelo Estado... Os serviços públicos rentáveis poderão acabar por ser privatizados não sendo de excluir isso quanto ao ensino secundário, aos centros de saúde e à Segurança Social. Relembrar que Passos Coelho e Paulo Portas em visitas aos EUA reuniram-se com Fundos Privados de Pensões. Nunca se soube para quê... Cortar naquilo que se deve, não se vê - nem cortes a sério nas PPPs, nem noutros negócios ruinosos do Estado, nem na redução de Institutos e outros organismos do Estado dispensáveis, etc.. Muito menos aproveitar condições externas favoráveis como algumas das que foram conseguidas pela Grécia e que podiam ser conseguidas por Portugal aliviando o peso da carga fiscal. Por tudo isto espero que várias das normas deste OE para 2013 sejam declaradas inconstitucionais e que o Presidente da República actue em conformidade com a sua declaração de que os Portugueses não suportam mais aumentos de impostos. Desejo a todos um Bom Natal, convicto que o ano 2013 só será melhor se o Povo da RAM perder o medo e lutar contra os que nos roubam nacionalmente e os que cá só fazem guerra não contra o roubo, mas sim para ficarem com o produto do roubo.

Paulo Martins