Na "Escola e no Clube", como em tantas outras áreas, muitas vezes (infelizmente demasiadas vezes), é gritante o desfasamento, diríamos mesmo a incoerência, entre o que se defende e o que efectivamente se faz. Compare-se, por exemplo, os quadros competitivos federados dos escalões de formação e a avaliação que é feita no ensino básico, secundário e universitário, com o que está plasmado na legislação, na missão e objectivos das instituições, nos planos estratégicos, nos planos de desenvolvimento, nos contratos programa, nos projectos educativos de escola, nos regulamentos internos, nos planos anuais, nos planos curriculares de turma… e num sem número de despachos, circulares, comunicações internas e afins (tanta coisa!!!…o que já por si é uma incoerência se pretendemos fazer e não só ficar pelo discurso). A incoerência entre o discurso e o percurso impede a resolução dos problemas e leva a que o processo educativo (tanto se educa na escola como no clube) continue, predominantemente, a preparar para o passado. Mas o que é que cada um pode fazer, sem se desculpar que têm de cumprir ordens (em Nuremberga muitos alegaram que só cumpriam ordens e foram enforcados)? Considerando que a avaliação é estruturante dos processos, devemos equacionar o que é que cada treinador pode alterar ao nível da sua equipa/clube (no treino) e o professor na avaliação na sua disciplina/escola! Há alternativas à reprodução dos quadros competitivos decalcados dos adultos e à avaliação que predominantemente se limita a seriar em função da capacidade de memorização e reprodução de estereótipos (daremos exemplos em próximos artigos). Mas será que estamos dispostos (e temos a competência!) para analisar e implementar processos que permitam dar um salto qualitativo, ou preferimos continuar num pedestal a exibir os "galões"?
Hélder Lopes - Professor Universitário