Manuel Nunes Daqui a dias, a Assembleia Legislativa Regional da Madeira aprova o orçamento da região para o ano de 2013. Numa época em que a toda a hora somos bombardeados pelos petardos que a crise nos atira, parece que os deputados, barricados na antiga alfândega do Funchal, não saem do buraco há anos, nem sequer para tomar um cafezinho. Provavelmente viverão dentro de uma campânula de vidro à prova do Gasparzinho, alheados que mostram estar da realidade. Estes senhores deputados, de todos os partidos, sem excepção, desconhecem o significado de palavras como prioridades. Basta ler, ver e ouvir e como dizia o poeta não podemos ignorar. Não podem eles ignorar o que acontece na saúde, onde faltam medicamentos, material de consumo, transportes para os doentes, etc. Não podem eles ignorar o que se passa naquele que se pretendia um complexo de luxo, o Atalaia Living Care. Não podem eles ignorar o que se passa com uma grande quantidade de enfermeiros que há dois anos concluíram as suas licenciaturas e ainda não conseguiram emprego, vivendo de biscates. Não podem eles ignorar o que se passa na educação com escolas sem telefone, sem gás, sem papel higiénico nas casas de banho e até sem condições de fornecer as refeições aos alunos. Não podem eles ignorar a situação de empresas que tendo como principal cliente o governo regional, não recebem há meses pondo em risco a sua existência, não conseguindo pagar a fornecedores e funcionários. Estes senhores deputados, antes de sequer levantarem a mão para expressar o seu voto deveriam pensar se, face às dificuldades apontadas e que são só uma pequena amostra, as reais prioridades da população são aqueles onde se apontam gastos de milhões. Milhões para o jackpot aos partidos, milhões para aquela fantástica e superlotada marina do Lugar de Baixo, milhões para um jornal de distribuição gratuita, entre outros símbolos do despesismo em que é fértil a nossa região. Aos senhores deputados apetece dizer que, uma vez na vida, sejam honestos consigo próprios e que não se escudem na imunidade que a lei lhes confere, pois um povo de barriga vazia, um dia marimba-se para essa invenção da democracia.