Diogo Fernandes Sou estudante universitário natural da Madeira a frequentar o ensino superior no Continente. Uma das principais questões com que me deparei logo de início foram as bolsas de estudo. Avisaram-me de que nem todos têm direito a estas regalias e que tinha de estar preparado para não receber subsídios. Mas nem o pessimismo de outros nem algum pessimismo próprio impediram de tentar conseguir uma ajuda financeira. Passei quase o Verão todo antes de ir para o Continente com os meus pais a pedir, procurar, fotocopiar e organizar documentos das mais variadas entidades. Candidatei-me à bolsa de estudo do Governo Regional da Madeira, da Fundação Berardo, dos Serviços de Acção Social Escolar da escola que frequentei no secundário e da Câmara Municipal local. Não tive direito às duas primeiras enquanto que as outras foram concedidas mas com o aviso prévio de que podiam acabar mais cedo do que tarde. Requisitei ainda a bolsa de estudo da universidade que ingressei mas recebi uma "nega". Com duas bolsas a "meio gás", fiz o primeiro ano no ensino superior, mas à entrada do segundo fiquei a saber que a bolsa dos Serviços de Acção Social já não disponibilizava bolsas, o que fragilizou (ainda mais) a minha situação. Agora no terceiro ano, descobri que, em princípio, irei perder o único subsídio ao qual tenho direito. Compreendo que estejamos a atravessar uma grave crise financeira mas conheço casos de alunos que têm direito a várias bolsas de estudo. Além das fundações acima referidas, falo de apoios fornecidos pela Segurança Social, instituições partidárias, fundações administrativas municipais e, até, de empreiteiros. A verdade é que, por uma diferença mínima nos salários dos pais, o benefício vai para aqueles que ganham menos porque têm todas as despesas pagas. Por outro lado, com o apoio dos meus pais, temos de lidar com pagamento de propinas, alojamento, comida, internet e viagens nas férias. São injustiças como estas que me fazem pensar se o Estado está realmente com os olhos abertos ou se é preciso mentir, aldrabar e vender a integridade pessoal para conseguir o que se quer.