Da penumbra de um futebol regional literalmente parado, emergem um clube e um presidente, personagens que poderiam ter sido tiradas de uma qualquer banda desenhada. Ele, o presidente, de aspecto bonacheirão, cara rosada e barriga de emigrante, transportou essa colectividade campeã no Inatel para o futebol federado, sempre com a ambição megalómana de conquista de títulos. Hoje, com meia dúzia de anos de actividade federada, é uma das vozes e um dos protagonistas do braço de ferro estabelecido entre os clubes e o futebol regional. Clubes que reclamam contratos programas com o governo e sem os quais não permitem que qualquer tipo de competição avance, sobretudo a relativa à formação. Ou seja, mesmo se contradizendo, usando as crianças como escudo no processo chantagista em que entraram. No fundo, este clube e este presidente são o espelho fiel dum desporto regional com clubes a mais, alguns deles sem qualquer razão de existir, nomeadamente quando à sombra do erário público. Clubes até, em alguns casos, que surgiram do nada, só porque o governo regional pagava. Naturalmente que percebemos o problema que afligem os clubes, problemas transversais a toda uma sociedade madeirense, desde a saúde à educação, perante a impotência de quem de direito, hoje por hoje manietado pelo plano de assistência financeira à região. Uma região que se desleixou e deixou passar em claro, durante estes anos, por exemplo, o direito constitucional dos madeirenses à continuidade territorial, agora, por maioria de razões, mais desprezada no espaço continental. O futebol e o desporto regional são problemas que urgem resolver. Contudo, mesmo se esses problemas forem resolvidos num espaço temporal relativamente curto, jamais o desporto madeirense será como antes, até porque o modelo desportivo que foi bandeira da politica regional nestes últimos anos, conduziu uma grande maioria de clubes à falência. A queda foi abrupta, desde o desaparecimento do Rali Vinho Madeira do mapa europeu, a uma sem número de eventos que vão deixar de existir, passando pela agonia com que algumas modalidades e alguns clubes ainda vão sobrevivendo a nível nacional, em situações até em que, outrora, a Madeira produziu campeões. Essa agonia poderá estender-se ao futebol profissional, como já escrevemos em tempos, o que, a acontecer, deixará a região ainda mais isolada do panorama nacional e internacional. Esperemos para ver!
Emanuel Rosa, Repórter