O nosso ministro das finanças, Vítor Gaspar, afirmou: «O povo português revelou-se o melhor povo do mundo». Acerca desta afirmação tenho muitas dúvidas. Acho o povo português deveras estranho. Se fizermos uma retrospectiva aos governos das últimas décadas com certeza irão concordar comigo. Mário Soares que olhou para tudo o que tinha sido feito durante a ditadura e decidiu obliterar tanto o que de mau havia como o de bom. Acabou com a Lisnave e trouxe o FMI duas vezes a Portugal e conseguiu trazê-lo após ser eleito novamente cinco anos depois. Na sua ausência passaram seis pessoas pelo cargo de primeiro-ministro, entre eles Francisco Sá Carneiro que parecia ser promissor, mas infelizmente morreu num acidente de viação sem completar um ano de mandato. Foi eleito Cavaco Silva. Uma das primeiras medidas que tomou foi a de subsidiar os agricultores e os pescadores para que estes deixassem de exercer as suas actividades. Depois veio António Guterres. Quanto a este, prefiro nem comentar. Seguiu-se Durão Barroso que trocou Portugal pela União Europeia e, precedido de um governo provisório de Pedro Santana Lopes, José Sócrates assumiu o cargo. Foi reeleito! Sempre que havia algo importante a discutir na Assembleia ele focava as prioridades no casamento gay, na liberalização do aborto ou no novo acordo ortográfico, sob o qual recuso-me a escrever. Depois de tudo isto questiono-me se o povo português estava à espera de Deus na terra quando Pedro Passos Coelho foi eleito.
Tiago Neves, Colaborador da AUMa