O jardinismo terminou no último domingo. A afirmação pode parecer exagerada, até leviana, mas, na prática, é verdadeira. Mesmo que não cumpra a promessa de não se recandidatar à liderança do partido, no final de 2014, o que nem seria uma surpresa tantas foram as vezes em que disse que saía e continuou, Alberto João Jardim entrou na fase de arrumar a secretária. Primeiro no partido e depois na Quinta Vigia.

No congresso do fim-de-semana, provavelmente o último realizado à porta fechada - todos os prováveis líderes são suficientemente inteligentes para não manter uma asneira dessas -, a dúvida que surgiu não foi o que acontecerá a Jardim, porque também parece claro que cada vez menos se preocupam com isso, mas outra, mais profunda: quem vai herdar os cacos do jardinismo? Por outras palavras, quem vai enfrentar Albuquerque, daqui a dois anos ou antes disso?

O ex-delfim que ousou enfrentar o líder mostrou que tem apoio, muito apoio e os próximos tempos, com eleições autárquicas em que o PSD-M vai passar por grandes dificuldades e até pode perder câmaras e juntas, deverão fazer aumentar o número dos que, já hoje, sentem que poderiam ter arriscado nas 'directas'.

Também Cunha e Silva, que já foi 'número um' mas que Jardim mandou para canto, marcou posição. Está vivo, tem os seus e 'vai ver' se concorre. Comparou Jardim a Cristiano Ronaldo e não poderia ser mais oportuno, num fim-de-semana em que o Real, mesmo com o madeirense, perdeu e está a 11 pontos do Barça. No PSD-M era a mesma coisa, neste momento. Numas eleições regionais, nem as fintas de Jardim iriam impedir um resultado negativo. Mas o 'vice' está lá e, sendo candidato ou não, será sempre alguém a ter em conta e com quem negociar o apoio. Mas nunca será o herdeiro de Jardim.

Para esse lugar correm outros. Desde logo Manuel António, que tem aproveitado todas as oportunidades para recordar que está lá e que é candidato. Mas não está só, outros querem recolher o que Jardim ainda não destruiu. Os votos dos militantes que ainda não foram afastados ou que perderam a paciência e mudaram de campo. Já não são muitos.

Certo, mesmo, é que no final de 2014 - ou antes se as autárquicas forem o desastre que se prevê - voltará a haver mais do que um candidato à liderança. E, também como agora, um vai jogar com a máquina do partido do seu lado, com o secretariado e com todos os truques que já foram anunciados no congresso. Não deve é chegar para repetir a vitória à rasca de Jardim. E se ele apoiar... ainda é pior.