A Comissão Europeia, no âmbito da Estratégia 2020, identificou com um dos três vectores fundamentais o crescimento inteligente, promovendo o conhecimento, a inovação, a educação e a sociedade digital. O programa Educação e Formação, inserido nesta estratégia, apresenta, entre outros, dois objectivos: atingir uma taxa inferior a 10% dos alunos que abandonam o ensino e a formação nos países da UE; e pelo menos 40% de adultos dos 30-34 anos com nível de ensino superior. As metas são claras e definidas! Numa UE a 27, cuja média de abandono escolar se situa nos 13,5%, Portugal é antepenúltimo com uma percentagem de 23,2% de abandono, só ultrapassado por Espanha e Malta. A Eslovénia lidera este ranking, com uma taxa inferior a 5%, seguida por países como a República Checa, a Eslováquia e a Polónia, todos próximos dos 5%. Em 1992 a nossa média situava-se nos 50%, ou seja em 20 anos reduzimos para metade o abandono escolar. A média da população portuguesa entre os 18 e os 24 anos cujo nível de ensino máximo é o 3º ciclo e não se encontra a estudar aproxima-se dos 27%. Na RAM este valor sobe para os 31,7%, fazendo com que a Madeira seja a segunda pior região do país, só ultrapassada pelos Açores. Neste contexto fica claro que Portugal e a RAM precisam urgentemente de definir um plano e uma política educativa de fundo adequada à Estratégia 2020, de modo a que o nosso país e a nossa região possam acompanhar o desenvolvimento europeu. O crescimento económico só se faz com recursos humanos qualificados. Enquanto não percebermos isto continuaremos a definhar nas caudas das estatísticas e a olhar para o topo cada vez mais distante!
Nuno Maciel - Professor