Quando na noite de 2 de Novembro estava a ver o Senhor Presidente do PSD-M a proclamar a sua vitória sobre a candidatura do Dr. Miguel Albuquerque, lembrei-me daquela cena patética em que o Ministro da Propaganda de Saddam Hussein, anunciava na televisão a derrota das tropas invasoras e a BBC mostrava em directo e nesse preciso momento, os tanques americanos a cercarem sem qualquer resistência, o edifício da televisão iraquiana. Bastaria que o tal ministro tivesse espreitado pela janela e logo veria que o seu regime político, já tinha caído. Também na noite de 2 de Novembro de 2012, o Senhor Presidente do PSD-M fez uma proclamação em que anunciava a derrota dos invasores do seu partido. E tal como o ministro iraquiano, bastaria ter espreitado o número de votos que definiram a sua "escanzelada" vitória, para perceber que embora fossem suficientes para o manter por mais algum tempo no poder, eram insuficientes para sustentar o seu regime político que naquela noite …. já tinha caído! Esgotado o ciclo político de quarenta anos e para que o PSD-M possa ser de novo protagonista incontornável de um novo ciclo nesta região, terá que seguir a moda e "refundar-se"! Apesar da poeira que ainda paira no ar, já são bem visíveis pelo menos dois caminhos que o PSD-M poderá escolher. Um dos caminhos, foi traçado por metade dos seus militantes na noite de 2 de Novembro e é bem claro o seu trajecto: 1. Exige uma nova liderança. 2. Acaba com o tabu ridículo dos delfins do Senhor Presidente e diz claramente que quem quiser disputar a liderança, terá que vir pelo seu próprio pé, trazer as suas ideias e sustentar as suas propostas. Não vale a pena vir ao colo do Senhor Presidente, à boleia da máquina partidária ou pela mão dos "notáveis" do partido. Quem sabe … até pode dar azar! 3. Defende uma nova forma do PSD-M estar na política regional. Com maneiras educadas, sem insultos nem ameaças, respeitando os adversários, disponível para o debate e convivendo civilizadamente com a comunicação social. 4. No exercício legítimo do poder, o partido assume o compromisso de fazer uma governação transparente e uma gestão competente e séria dos dinheiros públicos. O outro caminho, foi apresentado no Congresso deste fim-de-semana, não pelos militantes, mas pelo líder militante. Aqui estão algumas propostas inovadoras que transpiraram cá para fora e que "refundam" a esperança no partido: 1. Blindar o acesso ao partido para só entrar quem for de absoluta e fidelíssima confiança do líder. 2. Blindar cirurgicamente os estatutos para que os interesses do líder não possam ser bloqueados. 3. Blindar o Conselho Regional e o Conselho Jurisdicional para não haver opiniões infiltradas diferentes das do líder. 4. Blindar o ficheiro dos militantes para que a "maçonaria" não possa recrutar e aliciar mais "traidores". 5. Blindar todos os computadores para que os "burgueses" não apaguem do disco rígido da Historia, as centenas de vitórias que o líder alcançou sozinho. 6. Blindar as inaugurações para que os "pés rapados" só possam circular a mais de 500 metros. 7. Blindar o jornal privado do líder, para que o Orçamento do Estado de 2013 não "austerize" os três milhões que lhe são devidos. 8. Blindar os telemóveis dos militantes para que os "ingleses do DN" não os possam contactar. Quanto ao resto … é tudo para ficar na mesma! Há cerca de um mês, nesta mesma coluna do DN, previa que no arraial do Chão da Lagoa iam subir ao palco dois PSDs. O NOVO e o VELHO. Acertei! Hoje e depois do Congresso, eles aí estão de novo, dois PSDs, ainda mais diferentes e distantes! Um, é o agora PSD-BLINDADO: hermeticamente fechado, desconfiado, cinzento, armadilhado, engatado em marcha-atrás e onde só entra quem o líder autorizar. O outro, o PSD-DESCAPOTAVEL: aberto e arejado, confiante nos seus militantes, colorido nas ideias, sem medo da diferença e onde, sem jurar fidelidade …. cabe sempre mais um!
Manuel de Brito - Médico