Apesar do futebol estar presente na vida de milhares de portugueses, a falta de assistência nos estádios é um cenário que se repete de norte a sul do país. É verdade que a forma de venda tem grande impacto no consumo. Mas verdade será também que quando a equipa não corresponde, quando o preço praticado ou o horário escolhido não convidam ou quando o conforto do sofá é um bem maior, o adepto deixa de consumir assistências aos jogos. A tendência, dizem, é para o agravamento desta realidade até porque a crise e a austeridade há muito chegaram aos bolsos dos portugueses e, como tal, prioridades foram estabelecidas. Face ao contexto económico de caos e de incerteza como podemos contrariar esta tendência? Devemos tentar fazê-lo mesmo quando são praticados preços exorbitantes? Como convidar um adepto a assistir a um jogo, a completar e a contribuir para o engrandecimento do 'factor casa' da sua equipa, quando os preços praticados são iguais aos dos que nos visitam? Aceitará o adepto fervoroso assistir à distribuição desenfreada de convites e borlas enquanto paga as suas quotas e os ingressos para jogos que não estão inseridos na Liga Zon Sagres? Poderão, ainda, as receitas de bilheteira ter peso nos orçamentos dos clubes? Considero que desta forma, mesmo que o queiram, não terão. Até porque os exemplos mais recentes que temos tido são claros: sãoos próprios clubes os responsáveis pelo número de cadeiras vazias, principalmente quando têm dois pesos e duas medidas e menosprezam quem, jogo após jogo, marca presença no estádio e para o qual um 'jogo grande' são todos aqueles disputados pela sua equipa. Não são adeptos só para jogos com o Porto, Benfica ou Sporting. Por mim, a continuarem a agir desta forma continuarão a ter muitos lugares por ocupar, mas as quotas, essas, estarão certamente pagas.

Andreia Micaela Nascimento - Directora Com. AAUMa