Esperança da Liberdade Madeira O Titanic, há pouco mais de 100 anos, o naufrágio ocorreu em 15 de Abril de 1912, era considerado o mais paradigmático dos navios transatlânticos de passageiros e que podia transportar 3500 pessoas. Em termos de luxo superou à época todos os seus rivais em piscinas, ginásios, squash, banhos turcos, restaurantes, cafés, salões de baile e de jogos, entre outros equipamentos de lazer. A primeira classe comparava-se aos melhores hotéis de luxo de Londres ou de Nova Iorque. De acordo com a publicidade (propaganda) da altura, uma viagem no Titanic seria como realizar um sonho maravilhoso sobre as águas do Atlântico Norte. Na viagem inaugural, a primeira e a última, já relativamente próximo da costa americana, foram avistados icebergs, pelo que os vigias aconselhavam a navegar mais a sul. No entanto, na ponte de comando com a presunção dos bem instalados do poder consideravam o Titanic o melhor e mais seguro navio do mundo, ou seja inafundável. Bastou 2 horas e 40 minutos para o Titanic ir parar ao fundo do mar. A maior parte dos passageiros da primeira classe salvaram-se, porque tiveram prioridade em embarcar para os botes salva-vidas, em número insuficiente e alguns já inacessíveis por motivo da inclinação do navio. Os passageiros da terceira classe morreram quase todos, dado que não lhes foi dada qualquer prioridade visto que eram gente da terceira classe. Metaforicamente, a Madeira (pérola do Atlântico) mergulhada, na pior crise da sua história recente, faz lembrar o Titanic, à excepção obviamente do afundamento. Esta Madeira jardinista endividada até ao pescoço, com uma dívida pública de 6,3 mil milhões de euros, fora o que ainda não se sabe, e que representa 123 por cento do produto interno bruto da região. O AJJ habitou-se a gastar e não pagar, à espera que o País ou a Comunidade Europeia lhe pagassem as dívidas. Os tempos são outros, crise está instalada e a chantagem foi chão que deu uvas. Os credores querem receber o que lhes é devido. Os Censos 2011 mostram, uma vez mais, a Madeira como uma das regiões com maiores taxas de desemprego, de analfabetismo e, proporcionalmente, com uma população sem qualquer nível de escolaridade completo. Além destes indicadores, há outros indicadores estatísticos, apesar de não divulgados pela DREM, que mostram a Região Autónoma da Madeira, como a região do país com mais desigualdades sociais, ou seja, poucos com muitos rendimentos e muitos madeirenses com pouco ou quase nada. No entanto, abundam as obras de fachada e os elefantes brancos para efeitos de propaganda, mas sem soluções que contribuíssem para o desenvolvimento sustentável da Região.