Jardim que não cede, nem aceita negociar; Jardim que não teme, nem deixa que a maioria lhe meta medo; Jardim que não ouve, nem debate; Jardim que proíbe e demite; Jardim, o único e agora de saída marcada para 10 de Janeiro de 2015 – dia em que eu, se for vivo, festejarei 49 anos! -, iludiu os social-democratas ao comprometer-se seriamente com os ‘Direitos, liberdades e garantias pessoais’ consagrados na Constituição.

Não tenho dúvidas que Jardim não domina as implicações da promessa “manteremos o pluralismo na comunicação social regional”, nem está na sua agenda, preenchida com futilidades, alterar propósitos que atentam contra o direito de informar e patrocinam compulsivamente a propaganda. Aliás, como ‘burro velho não aprende línguas’, se mantiver a postura de conjugar o plural no singular, de fomentar a concorrência desleal e de ameaça a iniciativa privada, o que disse para parecer democrata deve ler-se apenas como deliberada intenção de asfixiar tudo o que lhe escapa ao controle, como utilização abusiva do meio que manipula e onde espatifa mais de 3 milhões ao ano em proveito próprio, como instrumentalização da informação para fins ideológicos paga com dinheiros públicos.

Suspeita-se que o seu desejo de rever a lei maior da nação, obsessão que nem o líder nacional do PSD cauciona, vise expurgar também o artigo 38.º, o que estabelece a liberdade de imprensa. Contudo, enquanto esta Constituição durar convém lembrar o que está escrito: “O Estado assegura a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social perante o poder político e o poder económico, impondo o princípio da especialidade das empresas titulares de órgãos de informação geral, tratando-as e apoiando-as de forma não discriminatória e impedindo a sua concentração, designadamente através de participações múltiplas ou cruzadas”. E importa também lembrar que, como ninguém está acima da Lei, o artigo 4.º da Lei de Imprensa não deixa dúvidas: “Tendo em vista assegurar a possibilidade de expressão e confronto das diversas correntes de opinião, o Estado organizará um sistema de incentivos não discriminatórios de apoio à imprensa, baseado em critérios gerais e objectivos, a determinar em lei específica”.

O ‘pluralismo’ à moda de Jardim tem sido nefasto. Tem ofendido a dignidade dos jornalistas, tem aniquilado a diversidade opinativa e tem gerado desigualdades comunicacionais, dumping, desemprego, inimizades e dívidas monstras. Adivinha-se que nada mudará, que continuará a ser árbitro e jogador ao mesmo tempo, a branquear a realidade, a não assinar notícias, a mandar denegrir e a destilar ódio. Importa resistir e enfrentar as hostilidades. Parafraseando-o e à Carta Régia de D. Manuel I ao Povo Madeirense, “não basta somente a boa-vontade”. Afinal, ainda faltam 776 dias para o fim do jardinismo!

P.S. No último discurso em congresso como presidente do PSD-M, o mesmo Jardim prometeu ainda curar o partido de alguma infoexclusão. “Aproveitar-se-á melhor a Internet e a Blogosfera”, garante. Esta é uma empreitada a seguir com particular atenção, até porque apesar de assumir que “os Políticos têm de falar mais para as pessoas, pois no mundo actual a Política é uma conversação”, não escondeu que vai continuar a recorrer ao visto prévio, pedindo “os assuntos previamente apresentados por escrito, para não se perder tempo, para precisar os factos, para responsabilizar quem os apresenta e para se despachar imediatamente”.