Num só movimento, o PSD/M deixou clara aquela que será a sua estratégia para o futuro. Às facas imaginadas e imaginárias juntou as reais, aquelas que vão directo ao coraçáo e à vontade dos homens. São as facas que cortam o pensamento, a liberdade, a crítica, a ambição.

Com tanto corte, o que sairá deste congresso é um partido castrado na livre iniciativa dos seus militantes e na vontade de mudança expressa nas últimas eelições internas. Amordaçado de qualquer laivo de pensamento individual e domesticado ao ponto de apenas permitir que um único homem detenha o poder como coisa sua, até que, um dia, o deposite nas mãos de quem entender e com o aplauso dos que, guiados pelo medo, obedecerão cegamente à vontade do chefe.

Por este caminho, este Partido Social Democrata apenas mantém a primeira palavra que o designa: partido, verdadeiramente partido e estilhaçado. O social estará sempre subordinado ao único modelo que o chefe conhece e que já falhou, e a democracia há muito que é palavra vã e vazia para quem exclui e castiga quem não pensa, não age e não actua pelas regras que são ditadas e impostas sem discussão.

Triste partido este, subjugado a um silêncio que compra a presença nas reuniões partidárias, mas também o emprego, o cargo político tão ambicionado, a sobreviência à sombra da mão protectora de um sistema disposto a premiar a obediência cega, surda a muda, e a castigar, sem recurso, os que se atrevem a levantar a cabeça e a ter uma opinião diversa.

É um partido de cavalheiros da triste figura, sem sonhos, que lutam contra moinhos de vento, inimigos imaginários e que não se importam de viver enfiados numa armadura castradora, desde que evitem o temido desemprego político que os deixaria despojados do manto que os abriga.

Este é o partido que age ao arrepio das mais elementares regras democráticas, que submete intervenções à vontade do chefe, que ignora resultados eleitorais internos e as suas leituras, que deixa à porta companheiros e que castiga a liberdade de escolha. É este o partido que ressurgirá de um congresso onde a união, a democracia e a livre vontade foram defintivamente substituídas pelo medo e pela força. E tudo isto é triste, lamentável, injusto e injustificável e muito feio de se ver.