Vivendo e trabalhando, até ao momento, em apenas três diferentes regiões, tenho vindo a ser confrontado com as expectativas que as comunidades desportivas na sua generalidade têm sobre as características daqueles que consideram como sendo "bons treinadores". Se na "alta competição" acabam por ser, quase exclusivamente, os "resultados" a ditarem a avaliação dos treinadores em todas as latitudes, já ao nível da "formação" a análise parece ser bem menos linear. Variam as características do que se considera ser um "bom treinador de formação", ainda que na generalidade seja um traço comum o "olhar mais para a forma do que para o conteúdo". Isto porque é habitual se destacar aspectos sempre difíceis de avaliar como a "personalidade", a "liderança", a "postura" ou até mesmo a "imagem"! Mas também, e bem, a "aparente" capacidade de "ensinar". Tal como dizia há poucos dias o pai de um jovem jogador aqui na Grécia, o "treinador é muito bom, pois está sempre a interromper os exercícios para corrigir os jogadores". Nunca esquecendo os meus mentores, mas agora com a reflexão possibilitada por 20 anos de "experiências", contínuo a acreditar que o principal papel do treinador é o de "propiciar as melhores e mais profícuas aprendizagens". O que nos transporta para a constatação de que, no âmbito das actividades desportivas, a questão fundamental será a de se saber se os "jogadores aprendem", não se o "treinador ensina"! Claro que a capacidade do treinador em "corrigir", proporcionando o devido "feedback" à execução, é um aspecto importante. Mas, na minha opinião, muito mais importantes serão outros factores, entre os quais destaco a "relevância / especificidade" dos exercícios escolhidos para cada sessão de treino e, sobretudo, o "tempo potencial de aprendizagem" possibilitado pela organização do treino. É por isso que, ao invés de se preocupar em mostrar "activo", interrompendo frequentemente a actividade e verbalizando "conhecimentos" táctico-técnicos (em "ensinar", na concepção comum do termo), o treinador deve ter uma quase "obsessão" pela organização do treino no sentido de proporcionar o melhor terreno possível para a "aprendizagem". Sabendo que o "erro" faz parte deste processo e limitando a sua "instrução" e "feedback" ao "estritamente necessário". Um abraço desde a Grécia.
Nelson Caldeira, Treinador