Fiquei preocupado com os últimos números divulgados pelo INE, acerca dos resultados finais dos Censos de 2011! Cada vez temos mais portugueses a receber subsídios, pensões e reformas e cada vez menos gente a trabalhar, ou seja, ao aumentar a esperança de vida dos portugueses, com uma população cada vez maior mas que, apenas 48% da população tem rendimentos de trabalho e 49,4% são economicamente inactivas, pergunto-me: "como vou, daqui a 25 anos, receber a minha reforma?" Tenho 41 anos. Comecei a trabalhar com 20 anos, quando frequentava o meu terceiro ano de faculdade. Desde sempre que descontei para a segurança social. Feitas as contas (por estimativa), ao longo destes 20 anos de contribuição activa para a minha futura reforma, já entreguei ao Estado, como forma de poupança e investimento, cerca de 70.000€. Pelos números que vi, com uma população que cresceu 2% nos últimos 10 anos, pela entrada de 188.652 imigrantes, contra um saldo natural (nascimentos menos óbitos) de apenas 17.409 pessoas, depressa percebo que ando a descontar para o "vazio" ou para situações que agora não tenho espaço para escrever! O índice de envelhecimento da população agravou-se em 10 anos, passando de 102 para 129, ou seja, por cada 100 jovens, existem 129 idosos. Assim, vai ser difícil! O Ministro Vitor Gaspar tem razão: "a evolução social e demográfica em Portugal, coloca um peso crescente sobre a despesa pública". Como eu não devo nada ao Estado, já entreguei ao erário público, do esforço do meu trabalho, quase com 70.000€ em 20 anos, vou propor ao Sr. Ministro o seguinte (já a partir de Janeiro de 2013): eu "esqueço" os 70.000€ que já entreguei ao Estado e assumo que essa foi a minha contribuição para a cidadania. Entrego-os ao Estado sem qualquer compensação ou benefício daqui para a frente. A partir de Janeiro de 2013, deixo de descontar para a SS e passo a depositar essa verba numa conta bancária, como poupança. No final de um ano terei cerca de 4.000€ (juros incluídos), o que daqui a 25 anos de trabalho, darão certamente um valor superior a 100.000€. Mesmo com uma esperança de vida na ordem dos 85 anos, terei 20 anos para "gozar" esta poupança, ou seja, cerca de 450€ mês sem considerar a inflação. Acresce ainda a importância de aumentar o nível de poupança no sector bancário, o que pode contribuir para ajudar as pme's portuguesas, e reforçar o tecido empresarial português com a criação de postos de trabalho. Só acrescentar que, todos deveriam ter um seguro de saúde constituído, acima de determinado rendimento, evitando que o Estado tivesse de suportar, na maioria dos casos, custos para um determinado nível social. Evidentemente que terei sempre de complementar com outras poupanças mas, será certamente um investimento bem mais seguro e certo.

Pedro Calado, Vice-presidente da CMF