1 - Primeiro, uma "declaração de interesses": aprecio especialmente os pensamentos políticos de homens generosos para a humanidade como Aristóteles, São Tomás de Aquino, Francisco Suarez (espanhol que ensinou e morreu em Portugal), Jeremy Bentham, Kant, Karl Popper, Raymon Aron, Ernst Wigfross, John Rawls e Jurgen Habermas. 2 - A Europa e a América do Norte, as veias onde corre o sangue neocapitalista dominado pelas sociedades comerciais anónimas (ou por ações), sem rosto, são hoje um bom laboratório social sobre as relações entre a oligarquia (governo no interesse do grupo que manda, que não reconhece a origem popular do poder político), a plutocracia (governo no interesse de quem tem dinheiro, que não aceita a origem popular do poder político) e a "democracia republicana aberta" (governo das classes médias a favor do equilíbrio social e da maior felicidade concreta do maior número possível de cidadãos, que são a origem do poder político). Os países daqueles continentes que têm muito poder militar e financeiro (Inglaterra, França e EUA) transportam dentro de si um substrato de alta finança discreta, estável e muito poderosa, que tem por principal atividade financiar países e grandes empresas há muito mais de 1 século. Na Europa, tal substrato assenta há quase 200 anos nalgumas famílias ligadas à exploração do comércio colonial e depois ao petróleo e, sobretudo, na grande família germano-inglesa "Rothschild" (originalmente "Haus zum Rothen Schild ou "Casa do Escudo Vermelho", da família "Bauer"), de origem alemã e de religião judaica, cujo império bancário, comercial, mineiro e petrolífero se mantém hoje e tem sedes em Londres, na Holanda e na Suíça (com ramificações intrafamiliares em França, Alemanha, Áustria e Itália). Estende-se ainda aos EUA, onde algumas empresas desta família até são acionistas da Reserva Federal Americana ("FED"; o "banco central" dos EUA). Esta família, tal como a família real holandesa (Shell), tem presença regular nos discretos e privados "Clube de Bilderberg" e "Comissão Trilateral"; esta organização privada cara é, curiosamente, dirigida por Jean Claude Trichet (anterior presidente do BCE). Nos EUA, aquele substrato de alta finança discreta, estável e muito poderosa assenta em três famílias americanas também de origem alemã e também de credo judaico (Goldman; Sachs; e Rockefeller; esta advém do nome alemão original "Rockenfeller", que se reporta a um lugar e quer dizer "a partir de Rockenfeld"). Essas famílias construíram os seus impérios nos últimos 150 anos com base na banca (JPMorgan Chase) e no petróleo (Standard Oil Company). Também são acionistas da Reserva Federal Americana. No gigantesco banco Goldman Sachs (adversário direto do extinto banco "Lehman Brothers", também de origem alemã judaica e mantido nessa família até 1969; depois foi liderado por um descendente de gregos, Peter George Peterson, até falir), trabalharam há pouco tempo, curiosamente, pessoas como António Borges, Carlos Moedas, Mario Monti (PM italiano, não eleito), Mario Draghi (atual presidente do BCE) e Lucas Papademos (ministro grego). O americano David Rockefeller e o germano-americano Henry Kissinger (antes Heinz Alfred Kissinger) são os paladinos dos discretos "Council on Foreign Affairs" (para os EUA), "Clube de Bilderberg" (para Europa e EUA) e "Comissão Trilateral" (para Europa, EUA e Ásia). 3- Uma das vantagens que há em se conseguir emprestar muito dinheiro a países, utilizando muitas sociedades anónimas e fundos sem rosto, é que as nações não desaparecem, pois têm sempre população e contribuintes. E são estes quem, obviamente, vai sempre pagando os empréstimos com os impostos, e quase sempre sem o saberem. O quadro legal e ético em que tal acontece e em que se enfrentam as crises económicas ou financeiras depende do tipo de sociedade política em vigor e da consequente doutrina socioeconómica que se pratique: um governo no interesse do grupo que manda, ou um governo no interesse de quem tem dinheiro, ou um governo das classes médias a favor do equilíbrio social. É uma escolha que cabe, em princípio, às pessoas. De bem. A terrível crise ética e financeira em que alguma Europa está mergulhada, com base num projeto monetário defeituoso desenhado pela Alemanha, a Holanda e a França, tutelado pelo BCE (banco público independente, chefiado hoje por Mario Draghi e ontem por Trichet), projeto monetário cuja doença foi destapada com a inesperada falência do banco "Lehmam Brothers" (atrás citado), dizíamos, a crise pode ser enfrentada ou a favor de um grupo que manda, ou a favor de quem tem dinheiro ou a favor das classes intermédias (como dizia Aristóteles) e da maior felicidade concreta do maior número possível de cidadãos (como dizia Bentham). Assim, olhemos à nossa volta e pensemos (1º) em quem e no que nos trouxe à falência e (2º) nas soluções aplicadas desde 2008 na Europa: a primeira solução foi os Governos/contribuintes pobres gastarem mais dinheiro (que não tinham seu) para incentivarem a economia; depois, mudaram a receita e a solução agora é cobrar mais impostos e diminuir os gastos sociais para os países terem possibilidade de pagarem o que pediram e para no futuro longínquo poderem continuar a pedir e a pagar. Tudo se deve a uma sociedade dominada pela economia (como se fosse uma ciência exata) e pela improdutiva "indústria da alta finança", plutocrática, que ignora o primado da maior felicidade concreta do maior número possível de cidadãos. A ética social e económica, a alta política e o Direito democrático estão muito doentes. 4- Quem se enganou na atual alta finança e na atual política? Quem enriqueceu? Quem ganha com esta "solução"? Quem perde com esta "solução"? Basta olhar à volta e estudar os mapas físicos e económicos da geografia europeia, asiática e americana. Teremos, por isso, de recuperar a primazia da ética, da alta política e do Direito.
Paulo Pereira Gouveia