Numa época em que aos valores do Humanismo, da Democracia e do Socialismo se sobrepõe o Liberalismo Económico e o Individualismo, é difícil ser coerente com os princípios de luta por uma sociedade justa Lá em casa , sem água , luz ou esgotos aprendi que pretender construir uma sociedade nova é uma tarefa difícil e prolongada. No Cristianismo, mercê do contacto com um Padre , aprendi o que era o fascismo, o capitalismo, a democracia o socialismo. A família votou Delgado e apoiou a Santa Liberdade do Capitão Galvão .Às escondidas ouvia a Rádio Portugal Livre e R. Moscovo, graças a um primo, quase analfabeto que conhecia de rádios. Juntei-me aos associativos do Industrial e do Técnico, alguns militantes do PCP, que aliavam ao combate ao fascismo e à Guerra , a luta pela Democracia e melhoria do ensino . O. Pato, recém libertado de Peniche, ensinou a forma correta de se comportar junto da PIDE em caso de prisão, o que me serviu bastante quando fui «dentro». Na perspetiva do PCP de combate à Guerra , estive em Moçambique. Era difícil defender a nossa integridade física e dos nossos militares, e, ao mesmo tempo apoiar a independência das Colónias. Com a Revolução de Abril foram libertados de Caxias alguns dos meus melhores amigos. Regressado a Portugal, em Maio de 1975, senti-me ultrapassado pela esquerda. Eram MLs e Meninos Rabinos Pintores de Paredes, que hoje dirigem Instituições Europeias, são Ministros do PSD ou do PS, D. Gerais, S. de Estado ou Regionais, Presidentes , advogados famosos… Sempre defendemos que a construção do Socialismo , não devia colidir com as liberdades individuais e estas com as coletivas. Defendo a autoestrada da liberdade. Tenho a convicção de que é possível defender os valores de Abril, de aprofundar a Democracia participativa, económica , social e cultural, ou seja uma democracia avançada.
Dírio Ramos, Vereador do PCP na CMF