Francisco Leite Monteiro Vai para dois anos, em artigos publicados na imprensa nacional e, mais recentemente, também no Diário - em 7 de outubro último - venho chamando a atenção dos poderes públicos, para a necessidade de proceder-se à "racionalização" da remuneração dos trabalhadores em geral, no tocante aos subsídios de Férias e de Natal, parte da mesma remuneração. Nos últimos dias, a diferentes níveis da governação, a questão foi, finalmente, abordada e já se antecipa para o início de 2013, a sua implementação, assunto que o Diário de 21, noticiou, reportando-sea declarações feitas na véspera, pelo Ministro da Solidariedade e Segurança Social, Pedro Mota Soares em reunião com parceiros sociais. Como recordei no meu já referido apontamento, a origem dos subsídios, foi fruto do sentido paternalista de um passado não distante, que então vigorava, e que considerava faltar aos trabalhadores portugueses a 'maioridade' e a capacidade para adequadamente gerirem como e quando bem entendessem, o fruto do seu trabalho, na prática, quase retirando-lhes a liberdade e o direito de escolha da sua aplicação e de como realizar as suas poupanças. Parece vislumbrar-se uma muito próxima revogação desse esquema obsoleto, racionalizando-o, não pela via da sua eliminação mas tão somente pela incorporação dos valores correspondentes dos ditos subsídios, no salário mensal de todos os trabalhadores, instituindo o conceito de remuneração calculada numa base anual e liquidada em duodécimos mensais. Pode assim concluir-se que nem sempre é em vão que se dirigem apelos aos poderes públicos, como as declarações do ministro permitem antecipar, pelo que todos nos devemos regozijar.