Neste convite para "regressar" ao DN que abracei com prazer, irei colaborar com a minha experiência de 2 décadas de dirigismo e, penso ter algo para acrescentar neste espaço de opinião. Todos gostariam de ouvir que a bonança virá após a tempestade! No entanto o silêncio(!) é o que prevalece, deixando as instituições mais vazias de informação e de certezas. O Desporto, com todas estas interrogações, não irá sofrer um retrocesso de 30 anos, como proclamado por muitos, será sim, um recuo aos tempos do meu tetravô... Há 30 anos, havia ambição para projetos; de fazer parte das listas das direções; de ambições políticas, utilizando a imagem (apesar de alguns acreditam que isso é possível nos dias de hoje); de voluntariado; dos atletas a treinarem e a jogarem no pelado, no alcatrão, nas balizas sem rede, etc.. Nos próximos dias, a realidade não será a mesma! Todas estas variáveis já não são mecânicas... há um trabalho a desenvolver na mobilização de todos os setores do Desporto, com o risco agravado de ouvir um NÃO! Nem a competição, nem a formalização das inscrições e, em muitos casos, nem os monitores, estão presentes. A "máquina" parou e a ferrugem vai tomar conta dela. Se não houver um tratamento urgente, o arranque será doloroso e não terá, nunca mais, a mesma produtividade. Mesmo aqueles que têm instalações próprias e apoiadas pelo erário público, conseguem rentabilizá-las para serem autossustentáveis, pois a clientela é cada vez menor e o ónus com o recinto, cada vez maior... no entanto estão à disposição para não estarem sujeitas à deserção. Aliás, nos dias de hoje e em igualdades de circunstâncias, com o pouco dinheiro que os clubes conseguem realizar, estão melhor servidos os que não têm infraestruturas própria, podendo realizar outros investimentos. Alguns desmedidos e "internacionalizantes". Aqueles que, em boa hora, pediram-nas... que aguardem melhores dias e joguem com a "prata da casa". "Salvé" o projeto "made in Madeira". A mim, não me chocaria a política desportiva "in doors" (leia-se na Madeira), pois considero ser mais importante haver apoios para manter os recintos com atividades "cá dentro", hipotecando tudo e mais alguma coisa, para disputar "lá fora". Naturalmente, dissecando a ambição de promoção regional que tantos frutos, continuam, repito: continuam a dar! Terminando, parafraseando o historiador José Augusto França e aplicando ao tema aqui abordado: " Não pediu, não concorreu mas, merece respeito..." o Desporto. Vamos aguardar que a bonança chegue.

Marcelo Gouveia, Dirigente desportivo