Sérgio Potier Nós estamos a viver uma crise económica e financeira tão grave ou pior do que a de 1929, e nestes tempos difíceis, o que se pede aos grandes oráculos da economia são respostas concretas e eficazes para debelar os grandes problemas económicos e financeiros com que se debate o país. O diagnóstico está feito, e de palestras e teorias, estão os portugueses fartos. No entanto, os gastos em viagens e em hotéis não param. Miguel Galvão Teles, dizia que, o problema critico do país começou por ser o da degradação da classe política, porque os grandes senhores já cá não estão. Mas o problema esteve sempre nos decisores políticos, mesmo sendo grandes os decisores, porque muitos deles não quiseram fazer as estabilizações macro-económicas que se impunham (fora a roubalheira) que devem ser sempre em contra ciclo, como forma de atenuarem e amortecerem os respectivos ciclos económicos. Cavaco Silva quando foi ministro das finanças de Sá Carneiro, para que a aliança PSD/CDS ganhasse as eleições, o que foi conseguido, promoveu políticas expansionistas da procura na década de 80 de sec. passado, quando a OPEP criou o segundo choque petrolífero ao fazer duplicar os preços do crude, ao invés dos outros países da OCDE que promoveram políticas de cariz contracionistas, o que envolveu um custo elevadíssimo para o país, ou quando Sousa Franco não aproveitou a baixa da taxa de juros da divida para consolidar a política orçamental, e aplicou a mesma baixa em políticas sociais. Portanto, não foi só José Sócrates que criou situações complicadas ao país. Ele até baixou o défice em 2007, apesar de ter aumentado a divida, e de seguida veio o pedido de resgate, na medida em que, as receitas dos impostos não eram suficientes para alimentar a despesa pública. Estas medidas aplicadas por estes políticos não foram as mais adequadas, e isto é a prova, ao contrário do que afirmam os neoclássicos, as escolhas (políticas, consumo ou investimento) não são racionais, segundo a economia do comportamento. Bastaria um fumador obeso se fosse verdadeiramente racional, para iniciar uma dieta e deixar os cigarros de lado, mas na maioria dos casos isso não acontece, e quem fala num fumador fala num investidor que pede um empréstimo sabendo que não o pode pagar e o banco que emprestou não avaliou o risco. Portugal só sairá deste buraco quando voltar a ter moeda própria para não ficar à mercê dos investidores estrangeiros (mercados) que nos podem cortar o financiamento se Portugal não puder honrar os seus compromissos. O PAEF só existiu não por culpa das escolhas colectivas feitas por toda a sociedade, mas por incúria dos políticos e banqueiros, isto é, os nossos desequilíbrios financeiros não foram detectados depois da crise internacional, foram-no antes. A crise só veio agravá-los. Não foi preciso uma ditadura para retirar direitos e salários que abril deu. Foram os políticos defensores da própria democracia.